Numa votação realizada nesta sexta-feira, o Senado norte-americano aprovou o nome de Daniel Perez para ser o novo embaixador de Donald Trump no Brasil. Sem qualquer experiência diplomática e ligado ao secretário de Estado Marco Rubio, Perez se transformou no pivô da nova crise entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Sua aprovação deve ser seguida por um pedido praticamente imediato ao consulado do Brasil em Washington para que um visto seja dado ao americano. O gesto coloca uma nova pressão sobre o governo Lula. A Casa Branca já alertou que, se o Brasil mantiver em suspenso o processo, irá escalar a crise e adotará novas medidas contra Brasília.
A aprovação no Senado foi marcado por atropelos e manobras. No Congresso dos EUA, para evitar que algum republicano levantasse qualquer objeção, o nome de Perez foi colocado para votação ao lado de mais de 70 outros embaixadores e membros do governo que precisariam ser aprovados. Assim, todos teriam de ser chancelados em bloco ou recusados.
Já no contexto internacional, a Casa Branca rasgou os protocolos diplomáticos e as convenções internacionais ao não consultar os países anfitriões desses embaixadores e pressionar por suas aprovações.
Desconfiança de Brasília sobre o papel de Perez
Se por mais de um ano a Casa Branca ficou sem indicar um embaixador para o Brasil, a pressa agora dos EUA gerou desconfianças no governo brasileiro de que o escolhido poderia agir não apenas como um diplomata, mas uma espécie de interlocutor de forças de extrema direita num momento de tensão eleitoral.
O Brasil indicou que apenas irá definir se aceita Perez como embaixador depois das eleições, o que levou o governo Trump a reagir a e a suspender parcialmente o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
Houve ainda uma chantagem: Viotti teria seus direitos restabelecidos caso o Brasil acelerasse a aprovação do indicado por Trump. O governo Lula se recusou a ceder, inclusive argumentando que não faria sentido dar uma aprovação antes mesmo do voto no Senado dos EUA.
Com a aprovação, a Casa Branca deve incrementar a pressão sobre o Brasil.
Embaixador é aliado de interlocutores de clã Bolsonaro
De origem cubana e nascido em Miami, Perez usou as redes sociais para comemorar o sequestro de Nicolás Maduro, denuncia a ditadura em Cuba, defendeu o influenciador Charlie Kirk e, numa longa mensagem, repetiu o mantra da extrema direita americana sobre a necessidade de que se crie uma data para lembrar das “vítimas do comunismo” no mundo.
Ele ainda defende a política de Trump de deportações em massa, e saiu em apoio ao ICE.
Sem qualquer experiência diplomática, a escolha chamou a atenção de experientes embaixadores brasileiros. Tradicionalmente, a Casa Branca designa nomes de peso para cargos em algumas das maiores economias do mundo.
Mas também desperta suspeitas o fato de que o escolhido é um aliado importante do senador republicado Rick Scott. O congressista em Washington tem aberto seu gabinete para acolher as demandas da família Bolsonaro para a imposição de sanções contra o Brasil.
Em 2019, ele chegou a viajar para se encontrar com Jair Bolsonaro. Mais recentemente, o senador chamou o julgamento do ex-presidente de “uma caça às bruxas”. É evidente que é, e basta ver o que está acontecendo com a liberdade de expressão no Brasil para ficar realmente assustado”, disse Scott.
Scott ainda acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estar “fazendo um trabalho péssimo para o Brasil”.
Fonte: ICL Notícias


