Tarcísio usa vídeo falso sobre ato de Lula e ataca quem não vota em Flávio Bolsonaro

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A campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (12) contra Flávio Bolsonaro, o PL e aliados do candidato por publicações que associaram a manifestação na Paulista a vandalismo, consumo de drogas e terrorismo. Entre os citados na representação estão Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP), Rony Gabriel e Pablo Marçal. Também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicou o vídeo, mas não aparece entre os alvos identificados na ação.

O TSE determinou a retirada das publicações após acolher parcialmente o pedido da Coligação Brasil Pronto pra Mais. O ministro Marco Aurélio Bellizze deu prazo de 24 horas, a partir da intimação, para que os três e o deputado Rony Gabriel removam as postagens. O magistrado classificou o caso como “grave manipulação por descontextualização”, agravada por generalizações sobre o consumo de drogas e pedido explícito de voto.

A ação apresentada pela Coligação Brasil Pronto pra Mais questiona a divulgação de conteúdos que associavam participantes da manifestação ao consumo de drogas, à depredação do patrimônio público e ao apoio a movimentos terroristas, sem comprovação de que essas condutas representassem o ato. Segundo a coligação, as publicações foram utilizadas para construir uma narrativa depreciativa sobre os manifestantes e o campo político ligado ao presidente Lula. A representação aponta que o material alcançou aproximadamente 1,1 milhão de visualizações no Instagram, além de circular em outras plataformas.

O conteúdo foi publicado no canal oficial da campanha de Flávio no WhatsApp, chamado “Tropa do Flávio”, e posteriormente apagado após questionamentos da imprensa.

Na avaliação preliminar do ministro, a liberdade de expressão e o direito à crítica política não autorizam a utilização de imagens descontextualizadas para apresentar como verdadeiro um fato que não ocorreu naquele evento. A decisão também determina que a Meta torne indisponível uma publicação do perfil @sociedadeemfatos, caso não seja retirada pelo responsável, e forneça os dados cadastrais necessários à sua identificação. As plataformas Meta e X deverão cumprir a ordem em relação aos endereços específicos identificados no processo.

Às 13h09 desta segunda-feira a agência Aos Fatos publicou uma checagem demonstrando que as imagens haviam sido divulgadas por perfis estrangeiros no sábado (10), um dia antes do ato na Paulista.

Tarcísio
Imagem utilizada em post de Tarcísio que mostra mulher usando drogas não foi em ato da Paulista (Foto: Redes sociais)

A agência identificou publicações em contas argentinas e chilenas, mas não conseguiu determinar onde a gravação foi feita, quem é a mulher ou qual substância aparece nas imagens. A circulação anterior ao protesto, porém, comprova que a cena não foi registrada durante a manifestação de domingo.

Mesmo após a publicação do desmentido, Tarcísio utilizou o material para criticar os manifestantes e estabelecer uma comparação entre os atos da direita e os de apoiadores do PT.

O governador também acusou os participantes do ato de falta de civilidade e criticou aqueles que classificam adversários políticos como fascistas. Em seguida, fez uma declaração que desqualifica os eleitores da oposição ao apresentar o trabalho e a produção como características de seu próprio campo político.

“Eu fico com a manifestação do verde e amarelo, das famílias, dos idosos, das crianças, daqueles que trabalham e produzem”, declarou.

A medida do TSE não proíbe críticas ao ato nem determina a exclusão integral dos perfis envolvidos. O ministro restringiu a ordem às publicações que utilizaram a gravação anterior como se fosse um registro da manifestação na Paulista.

A coligação também solicitou a aplicação de multa de até R$ 30 mil por publicação aos responsáveis. Esse pedido ainda será analisado no julgamento de mérito, após a apresentação das defesas. Ao determinar a retirada do conteúdo, Bellizze ressaltou o risco de disseminação de informações enganosas durante o período eleitoral. A decisão será submetida ao Plenário do TSE.





Fonte: ICL Notícias

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