Especialista em avaliação e regulação da educação superior explica como os diferentes tipos de formação são classificados e por que essa distinção importa em processos seletivos e planos de carreira
Ribeirão Preto (SP) – Tecnólogo é curso superior? MBA equivale a mestrado? Especialização e aperfeiçoamento têm o mesmo valor acadêmico? Essas dúvidas são frequentes em processos seletivos, concursos, planos de carreira e departamentos de Recursos Humanos. A classificação correta dos títulos acadêmicos ajuda empresas a definir critérios de contratação e profissionais a compreender como sua formação se enquadra nas exigências de cada oportunidade.
Segundo Antonio Esteca, especialista em Avaliação e Regulação da Educação Superior, uma das principais distinções diz respeito aos cursos superiores de tecnologia. A formação de tecnólogo é uma graduação, assim como bacharelados e licenciaturas, e confere diploma de nível superior. A diferença está no perfil do curso, geralmente direcionado a áreas específicas do mercado de trabalho. “É importante compreender que o tecnólogo tem formação de nível superior. Quando uma vaga exige graduação, a análise deve considerar os requisitos da função e as competências necessárias, sem excluir automaticamente profissionais por terem concluído um curso superior de tecnologia”, explica Esteca.
Outra dúvida comum envolve os cursos MBA. No Brasil, eles são geralmente classificados como pós-graduação lato sensu, com carga horária mínima de 360 horas, e conferem certificado de especialização, não diploma de mestrado. Já o mestrado integra a pós-graduação stricto sensu e tem entre seus objetivos a formação para pesquisa e produção de conhecimento. Embora ambas as modalidades possam contribuir para o desenvolvimento profissional, elas possuem características e finalidades distintas.
“Um MBA e um mestrado podem contribuir para a carreira, mas são formações diferentes. O MBA é voltado, em geral, ao aprofundamento profissional, especialmente em gestão, enquanto o mestrado tem características acadêmicas próprias e envolve pesquisa. Por isso, não devem ser tratados como títulos equivalentes”, afirma o especialista.
A expressão pós-graduação também abrange formações com objetivos diferentes. Especialização, aperfeiçoamento e extensão não são modalidades equivalentes e apresentam diferenças quanto à finalidade, à estrutura e à carga horária. Por isso, tratar todos esses cursos como se tivessem a mesma classificação pode comprometer a análise de currículos e a definição de políticas de desenvolvimento profissional.
Para empresas e profissionais, compreender essas distinções permite avaliar a formação de acordo com a finalidade de cada oportunidade. Um curso superior de tecnologia pode oferecer as competências necessárias para determinada função; um MBA pode atender à busca por aprofundamento em gestão; e um mestrado pode ser especialmente relevante para atividades que exigem pesquisa e produção de conhecimento.
“O mais importante não é estabelecer uma hierarquia automática entre os títulos, mas entender o que cada formação representa e qual é sua relação com a atividade profissional. Critérios claros ajudam as empresas a avaliar candidatos de maneira coerente com as exigências de cada posição”, conclui Esteca.
Sobre o especialista
Antonio Esteca é graduado e mestre em Ciência da Computação pela UNESP, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ e doutor em Psicologia pela PUC-Campinas. Atua no ensino superior desde 2013, com experiência em docência, gestão acadêmica, inovação educacional e desenvolvimento institucional. É avaliador institucional do INEP/MEC e acompanha de perto temas relacionados à qualidade e às transformações da educação brasileira. Atualmente, destaca-se também como uma das 10 vozes de maior influência no LinkedIn no mundo na área da Educação Superior. Em sua pesquisa de doutorado, dedicou-se ao estudo da prevenção do bullying e do cyberbullying no contexto escolar, tema que dialoga diretamente com a formação de educadores e com a promoção de ambientes escolares mais seguros e saudáveis. Atualmente, é CEO e Diretor-Geral da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP), da Faculdade Metropolitana de Franca (FAMEF) e da Faculdade de Tecnologia, Ciências e Educação (FATECE).
Mais informações: https://www.linkedin.com/in/antonioesteca


