O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o México nesta quarta-feira (17/6) ao afirmar que os cartéis do narcotráfico controlam o país.
A declaração foi dada durante participação na cúpula do G7, realizada na cidade francesa de Évian-les-Bains, e ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e o governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum.
“O México perdeu o controle do país. Os cartéis comandam o México e isso é triste, e a presidente é uma mulher muito boa, mas está com muito medo. Os cartéis de drogas controlam totalmente o México”, declarou Trump.
A fala reforça o discurso adotado pelo republicano desde o retorno à Casa Branca, marcado pelo endurecimento da política de combate ao narcotráfico e pela pressão sobre o governo mexicano para ampliar ações contra organizações criminosas.
Nos últimos meses, a administração Trump classificou diversos cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras, ampliou sanções financeiras e passou a defender medidas mais agressivas contra grupos envolvidos na produção e no tráfico de drogas sintéticas, especialmente o fentanil.
Morte de El Mencho ampliou cooperação
- A declaração ocorre meses após a operação que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, vulgo “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), um dos maiores cartéis do México.
- Embora o governo mexicano tenha afirmado que a ação foi conduzida por forças nacionais, autoridades americanas reconheceram ter fornecido apoio de inteligência.
- A morte de El Mencho desencadeou uma onda de violência em diversas regiões mexicanas.
- Segundo dados divulgados pelas autoridades, confrontos posteriores deixaram dezenas de mortos, além de ataques contra integrantes das forças de segurança.
Armas dos EUA abastecem cartéis
Em fevereiro, o secretário da Defesa do México, Ricardo Trevilla Trejo, afirmou que cerca de 80% das armas apreendidas em operações contra cartéis durante o governo Sheinbaum eram de origem norte-americana.
Segundo o militar, quase 23 mil armas foram confiscadas pelas autoridades mexicanas desde o início da atual administração.
Relação vive momento delicado
Em maio, após reunião com autoridades norte-americanas, a presidente afirmou que os dois países concordaram em manter a colaboração “dentro de um marco de respeito”.
Além do combate ao narcotráfico, os dois países mantêm divergências sobre imigração, tráfico de armas e a atuação de agentes americanos em operações realizadas no México.
Fonte: Metrópoles







