Até quando a caneta fria da lei continuará carimbando a impunidade e tripudiando sobre o sangue e a dor das vítimas de violência doméstica? Em mais uma decisão estarrecedora que causa repulsa e arrepio na sociedade, o empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, acusado de subjugar, espancar e torturar a própria esposa, a dentista Giulia Falcão, de apenas 27 anos, ganhou o passaporte de saída da Penitenciária de Potim II. A liberdade concedida ao agressor soa como uma bofetada na cara de quem clama por justiça, lançando uma sombra de pavor e indignação sobre o país!
O enredo de horror, gravado pelas câmeras de segurança e desenhado em detalhes estarrecedores nos autos do processo, revela a sanha de um verdadeiro algoz. Em agosto, nas calçadas do nobre bairro de Pinheiros, na zona oeste paulistana, a jovem profissional viveu momentos de puro suplício sob socos, agarrões e ameaças. Não satisfeito em arrastar a vítima para o interior do imóvel para dar continuidade à sessão de violência e cárcere privado — com a cumplicidade omissa e covarde de um segurança —, o vil empresário transformou a residência em um autêntico calabouço de dor.
Enquanto a vítima carrega no corpo e na alma as marcas indeléveis da tortura — crime pelo qual o Ministério Público de São Paulo acaba de aditar a denúncia —, o Poder Judiciário abre as grades e devolve o acusado ao convívio social, fiando-se na ilusória promessa de uma tornozeleira eletrônica e de uma distância de papel! O Ministério Público já recorreu desesperadamente para tentar reconduzir o réu ao xadrez, mas o sentimento que vaga pelas ruas é de puro desalento. A soltura de um homem acusado de atos tão cruéis expõe a fragilidade de um sistema que parece priorizar a comodidade dos réus abastados em detrimento da vida e do desespero de mulheres acuadas pelo medo.
Da Redação do Portal GPN


