Zé Trovão gastou R$ 195,3 mil dos cofres públicos com aluguel de móveis e máquina de café

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Amanda Miranda

Amanda Miranda

Formada pela UFSC, com mestrado em educação científica e doutorado em Jornalismo na mesma instituição. Tem pós doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Servidora pública federal e ativista pelo direito à informação, tem se dedicado a monitorar mandatos extremistas bolsonaristas.

FONTE: ICL

Deputado catarinense mantém escritório parlamentar luxuoso em Joinville (SC), que já custou quase R$ 700 mil em dinheiro de impostos

Zé Trovão gastou R$ 195,3 mil dos cofres públicos com aluguel de móveis e máquina de café

O deputado extremista Zé Trovão (PL-SC) gastou R$ 195,3 mil dos cofres públicos para pagar o aluguel de móveis planejados e máquina de café em seu escritório parlamentar em Joinville, norte de Santa Catarina. Os dados do portal da transparência referem-se a despesas a partir de 2023, quando ele assumiu o mandato.

Conhecido pelas polêmicas que protagonizou nos últimos anos, como tomar posse com tornozeleira eletrônica, ser suspeito de agredir a companheira e comprar um imóvel milionário incompatível com sua declaração de patrimônio, o parlamentar não economizou na montagem do seu escritório parlamentar.

Mesmo tendo que cumprir expediente em Brasília, é na cidade onde constrói sua carreira política que Zé Trovão montou um escritório cujo aluguel mensal custa, hoje, R$ 7.600. O valor é reembolsado todo mês pela Câmara, e a prestação de contas é feita via recibo. O fato se torna ainda mais curioso quando se observa que, no discurso, o deputado se apresenta como alguém que é contra os impostos que pagam suas despesas.

Uma foto registrada no Google um ano atrás mostra um gabinete com a imagem do parlamentar na sua fachada — uma sala comercial térrea situada próximo ao centro da cidade mais populosa de Santa Catarina. O slogan “Deus, Pátria, Família e Liberdade” também compõe a estética do ambiente, marcado por símbolos religiosos e por um banner com convites de filiação ao PL.

O deputado foi um dos que mais gastou verba pública da cota parlamentar por Santa Catarina desde o início da legislatura, com mais de R$ 1,7 milhão ao longo dos últimos anos. O luxo fica por conta da escolha do mobiliário planejado, que custou R$ 169.200, valor semelhante ao que destinou para a compra de equipamentos para uma escola de educação básica de Balneário Camboriú, via emenda parlamentar.

A máquina de café também está entre os itens à disposição do deputado federal. O parlamentar usa dinheiro público para alugar, mensalmente, uma Bianchi Gaia. Hoje, o aluguel é de R$ 780, que equivale a quase meio salário mínimo. Nos últimos anos, o montante investido para essa finalidade, somado, ultrapassou os R$ 26 mil — ou 16 salários mínimos — para um café fresquinho servido na hora.

O custo do escritório luxuoso também inclui equipamentos tecnológicos igualmente alugados, como notebooks, PCs e impressoras. No total, esses itens custaram aos cofres públicos R$ 74.782 ao longo dos últimos anos. Todos esses gastos ocorrem sem processos licitatórios, seguindo a lógica dos reembolsos da cota parlamentar.

Para manter seu espaço funcionando em Joinville, atualmente Zé Trovão gasta R$ 16 mil por mês. Para se ter uma ideia, ao longo dos últimos anos, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta, gastou R$ 816,08 na mesma rubrica de manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar.

No acumulado do ano, somente na manutenção desse escritório de luxo, o deputado usou R$ 638.767,85 em dinheiro público, três vezes mais do que o também deputado por Santa Catarina e atual líder do PT na Câmara, Pedro Uczai.

ORIGINALMENTE PUBLICADA EM 27/03/2026

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