A degradação da postura institucional: quando o descontrole verbal macula a representatividade da advocacia

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PORTAL GPN – ARTIGO DE OPINIÃO │

A advocacia brasileira atravessa um período de profunda reflexão sobre a responsabilidade ética, o decoro e o respeito às instituições democráticas por parte de seus líderes. Episódios recentes envolvendo declarações desmedidas e ofensas diretas proferidas por dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) — como o caso do vice-presidente da seccional de Goiás (OAB-GO), que utilizou termos chulos e ofensivos contra eleitores e correntes políticas antes de vir a público pedir desculpas — acendem um alerta vermelho sobre a perda do litígio ético no exercício do mandato institucional.

A OAB não é um clube privado, tampouco uma arena de lacração ou palanque para paixões partidárias tacanhas. A Ordem carrega em sua história a defesa intransigente da Constituição, do Estado Democrático de Direito e dos Direitos Humanos. Seus dirigentes, ao aceitarem a missão de representar a classe, vestem simbolicamente um manto sagrado — moldado pela seriedade, pelo respeito à pluralidade da classe trabalhadora da advocacia e pelo compromisso ético com a civilidade.

Quando um representante de alto escalão da entidade abdica do debate urbanístico e descamba para o xingamento rasteiro, o prejuízo não é apenas individual. O dano recai sobre toda a classe de advogadas e advogados, que se vê envergonhada e representeda por comportamentos que flertam com o descontrole moral.

O pedido posterior de desculpas, embora necessário do ponto de vista formal, não apaga o estrago infligido à imagem da instituição. A retratação soa muitas vezes como um mero cálculo de contenção de danos diante da repercussão negativa, e não como uma tomada sincera de consciência sobre o papel constitucional da entidade. O decoro exigido de um conselheiro ou diretor da OAB deve ser permanente, não condicional.

O Portal GPN reforça que a pluralidade de opiniões políticas é perfeitamente legítima e saudável em qualquer democracia. No entanto, a incitação ao ódio, o preconceito e a agressão verbal contra cidadãos por suas escolhas eleitorais são incompatíveis com o Estatuto da Advocacia e com a dignidade da profissão. A advocacia brasileira exige lideranças que estejam à altura da relevância histórica da OAB — líderes que saibam honrar a instituição com urbanidade, altivez e integridade, garantindo que o manto sagrado da Ordem jamais seja manchado pela intolerância.

Da Redação do Portal GPN

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