Por Cleber Lourenço
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), fez duras críticas ao bolsonarismo nesta quarta-feira (4), ao acusar parlamentares de conquistar votos com ofensas, agressões e ataques às instituições, sem apresentar propostas para o país. Em discurso no plenário, Alcolumbre também criticou as pressões pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ironizou os aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que aceitaram o resultado das urnas no primeiro turno, mas passaram a questioná-lo após a derrota presidencial no segundo.
A manifestação ocorreu depois de o senador Jayme Campos (União Brasil-MT) reclamar de ter sido chamado de governista por apoiar a PEC da Segurança Pública. Alcolumbre aproveitou o episódio para fazer uma crítica mais ampla à atuação de políticos que transformaram ataques pessoais e institucionais em estratégia eleitoral.
“Infelizmente, muitos atores políticos do meu país chamado Brasil se promoveram e ganharam eleição ofendendo e agredindo as pessoas”, afirmou.
Sem mencionar nominalmente o PL ou a família Bolsonaro, Alcolumbre criticou parlamentares que, segundo ele, deixaram de apresentar propostas para educação, saúde e desenvolvimento econômico durante a campanha.
“Eles não apresentaram para os estados deles a proposta de levar novos institutos federais para formar a juventude. Eles não apresentaram nas propostas nos estados deles que iriam vir para Brasília para defender o desenvolvimento econômico do Brasil. Eles não apresentaram para o Brasil que iam cuidar da saúde dos brasileiros”, declarou.
O presidente do Senado também acusou esses políticos de abandonar a defesa da democracia e do Estado de Direito em favor de uma campanha baseada em confrontos.
“Eles não apresentaram para o Brasil que iam vir para Brasília, ou deputado ou senador, defender a democracia. Não apresentaram defender o Estado de Direito. Não apresentaram defender as instituições democráticas. Mas ofensas, agressões e ameaças foram todos os dias”, disse.
Ataques ao STF e contestação das urnas
Alcolumbre também mencionou as pressões para que abra processos de impeachment contra ministros do Supremo, uma das principais bandeiras de setores do bolsonarismo.
“Um parlamentar ofendeu o presidente do Senado Federal que não abre impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal, mas deu os votos e nós estamos aqui. Abriu as urnas e ganharam a eleição”, afirmou.
Na sequência, o presidente do Senado questionou a postura de políticos que comemoraram os resultados das eleições legislativas e a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno, mas passaram a contestar a confiabilidade das urnas após a derrota presidencial.
“O pior de tudo isso, senadora Damares Alves, senador Izalci, é que no primeiro turno a urna eletrônica prestou”, ironizou.
Alcolumbre lembrou que o mesmo sistema eletrônico garantiu a eleição de uma bancada expressiva do PL na Câmara e no Senado, além de registrar a vantagem de mais de 2 milhões de votos de Flávio sobre Lula na primeira votação.
“Essa mesma urna eletrônica serviu para comemorar no primeiro turno uma eleição vitoriosa do adversário ao presidente Lula, que ganhou por mais de 2 milhões de votos no primeiro turno. E quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna. O resultado valeu para o primeiro turno”, afirmou.
Para Alcolumbre, a contestação seletiva dos resultados eleitorais prejudica o debate político e desvia a atenção de questões que deveriam ser prioridade no Congresso.
“Estou pedindo a Vossas Excelências que nós, todos nós, somos obrigados a trazer o debate para um senso razoável de país”, declarou.
O presidente do Senado defendeu que os parlamentares utilizem seus mandatos para discutir propostas capazes de melhorar as condições de vida da população, especialmente nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento econômico.
Fonte: ICL Notícias


