Marco Aurélio Zaparolli
Jornalista, publisher executivo do Grupo Portal de Notícias e veículos afiliados, comunicador com 50 anos de atuação na imprensa, pensador do mundo.
A vida, em sua essência mais pura, deveria ser uma caminhada leve. No entanto, ao longo dos anos, acumulamos bagagens invisíveis que nos curvam a espinha e nos cansam a alma. Diariamente, assistimos a pessoas que se anulam para carregar expectativas alheias, frustrações de terceiros e culpas que nunca foram suas. A grande indagação que fica, e que nos convida a uma reflexão profunda, é: para que suportar um peso que não te pertence e que nitidamente não te faz bem?
Não fomos colocados neste mundo para sofrer. Embora as dificuldades façam parte do amadurecimento, o sofrimento prolongado e voluntário em relações desgastadas e ambientes hostis é uma escolha que cobra um preço alto demais. A toxicidade nas relações — sejam elas profissionais, familiares ou afetivas — adoece a alma e consome a nossa energia vital. É preciso ter a lucidez e a coragem de, ao menos, tirar dos ombros essas cargas tóxicas que apenas bloqueiam o nosso caminho.
O que nos mantém presos a esse lugar comum? Na maioria das vezes, somos prisioneiros dos nossos próprios medos. O medo do desconhecido, de não encontrar algo melhor ou de simplesmente quebrar ciclos confortáveis nos paralisa na chamada zona de conforto. Olhamos para o horizonte e duvidamos da nossa própria capacidade, achando que as nossas asas não são fortes o suficiente para voar.
Mas elas são. A força para a transformação já habita em nós; o que falta é a decisão de dar o primeiro passo rumo ao novo. Libertar-se do que é tóxico não é um ato de egoísmo, mas de legítima defesa e amor-próprio. Que possamos, finalmente, soltar as amarras do que nos puxa para baixo e abrir as asas para o voo que merecemos realizar.


