Campanha mobiliza meninas e mulheres para conversar sobre como a política impacta suas vidas

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Na tarde desta terça-feira (15), dia internacional da democracia, o Centro Comunitário da Paz (Compaz) do Alto Santa Terezinha, na zona norte do Recife, recebe o lançamento da campanha “Eu colo no corre da democracia”. O objetivo é ampliar o diálogo com adolescentes e jovens, especialmente do sexo feminino, sobre como as decisões da política têm impactos reais na vida cotidiana de cada uma, nas suas casas e comunidades, ampliando ou reduzindo os seus direitos e oportunidades na vida. O evento no Compaz Governador Eduardo Campos tem início às 14 horas.

A campanha é encabeçada pela organização não governamental Escola da Democracia, que ao longo de 2026 tem realizado encontros de educação para a cidadania com meninas e mulheres jovens das periferias da zona norte do Recife. Nos encontros, entram em pauta temas como desigualdades, direitos, território, meio ambiente, comunicação, participação política e democracia. A partir do lançamento da campanha, a expectativa do grupo é conseguir ampliar o alcance desses debates e estimular o “voto consciente” e bem informado, especialmente entre jovens com idades entre 16 e 24 anos.

Além do processo de formação política, as jovens são incentivadas a produzir conteúdos informativos sobre os temas trabalhados, para alcançar mais pessoas. Esta etapa terá início na próxima quinta-feira (17). “A campanha visa fortalecer meninas e jovens mulheres para que reconheçam quem são, compreendam os lugares de onde falam, desenvolvam autonomia para se posicionar e ampliem sua capacidade de participar das decisões que atravessam suas vidas”, afirma Madalena Rodrigues, diretora da Escola da Democracia. No dia dois de outubro, a campanha realizará intervenções com projeções visuais no Recife.

A campanha definiu três temas prioritários: a confiabilidade da urna eletrônica, explicar os cargos em disputa nas eleições de 2026 e principalmente o papel do Senado Federal, já que este ano os eleitores têm direito a escolher dois nomes e é nessa casa legislativa que devem se dar alguns dos principais embates políticos do próximo período. O direito à mobilidade pela cidade, a segurança pública, o direito a viver afetos livremente e a participação política são alguns dos tópicos apresentados para estimular as conversas.

Jovens podem definir resultados das eleições

Além do processo de formação política, as jovens integrantes da Escola da Democracia são incentivadas a produzir conteúdos informativos sobre os temas trabalhados, para alcançar mais pessoas.
Além do processo de formação política, as jovens integrantes da Escola da Democracia são incentivadas a produzir conteúdos informativos sobre os temas trabalhados, para alcançar mais pessoas. | Crédito: Paloma Lima / Escola da Democracia

Entre os 7,2 milhões de eleitores aptos a votar em Pernambuco este ano, 13% têm idades entre 16 e 24 anos. Se percentualmente o número pode não ser tão expressivo, fato é que eles podem ser decisivos nas disputas eleitorais deste ano. As disputas pelas duas vagas no Senado, por exemplo, têm distâncias curtas — entre dois e cinco pontos percentuais — entre os candidatos, segundo as pesquisas eleitorais mais recentes. A disputa pelo Governo do Estado também: todas as pesquisas indicam empate técnico entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), com distâncias inferiores a seis pontos percentuais.

Os cerca de 950 mil jovens pernambucanos podem ser decisivos inclusive na eleição presidencial. As pesquisas têm indicado que a disputa entre o presidente Lula (PT) e o opositor Flávio Bolsonaro (PL) deve mesmo ser voto a voto, ainda mais apertada que na eleição de 2022, quando Lula venceu por 2,1 milhão de votos (1,8% dos votos). Os 950 mil eleitores jovens de Pernambuco correspondem a 0,6% dos 158 milhões de eleitores no Brasil. Se considerarmos que a abstenção no Brasil fica em torno de 21%, temos os jovens pernambucanos representando, potencialmente, 0,76% dos votos no Brasil e 16,6% dos votantes em Pernambuco.

Levantamento da Fundação Friedrich Ebert, vinculada ao Partido Social Democrata Alemão (SPD), mostra que 66% dos jovens brasileiros consideram a democracia o melhor sistema político, mas ao mesmo tempo 58% acreditam que os problemas sociais seriam melhor resolvidos com um “líder forte” à frente do governo. A pesquisa também mostra que as redes sociais são as principais fontes onde os jovens brasileiros se informam sobre política.





Fonte: Brasil de Fato

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