Milhares de mulheres chilenas protestaram em pelo menos dez cidades do Chile, neste sábado (01/08), contra o projeto de lei de direita “Escutem Seus Corações”, que restringe o acesso ao aborto seguro. A proposta controversa, defendida pelo governo Kast e por conservadores dos partidos Republicano e Libertário Nacional, exige que os batimentos cardíacos do feto sejam verificados antes da realização de qualquer procedimento de aborto.
Atualmente, a lei chilena permite o aborto em casos de risco à vida da mãe, inviabilidade fetal e estupro. Essa tentativa de restringir os direitos reprodutivos não conta com o apoio da maioria da população, segundo as últimas pesquisas de opinião. Um levantamento da empresa Cadem mostra que 66% dos cidadãos rejeitam fortemente a proposta da extrema-direita.
Sob o lema “Escutem minha decisão”, a principal manifestação na capital Santiago começou na Plaza Baquedano e seguiu em direção ao Palácio de La Moneda. Os manifestantes carregavam faixas exigindo respeito à sua autonomia reprodutiva. Esse protesto foi replicado simultaneamente em Valparaíso, Antofagasta, Concepción e Temuco.
Porta-vozes de grupos feministas descreveram a medida como “cruel, degradante e desumana”. As ativistas denunciaram a lei como uma forma injustificável de violência psicológica contra as mulheres chilenas.
ESTE ES EL AMBIENTE A ESTA HORA EN PLAZA BAQUEDANO (18;34)#PañuelazoFeminista pic.twitter.com/2bXuRkxA1K
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A lei atual, que permite o aborto em três circunstâncias específicas, está em vigor no Chile desde setembro de 2017, após ter sido promulgada pela ex-presidente Michelle Bachelet. A legislação encerrou quase três décadas de proibição total imposta em 1989 pela ditadura de Augusto Pinochet. O regime militar havia revogado a legalização do aborto terapêutico, que estava em vigor desde 1931.
Ativistas sociais e defensores dos direitos humanos argumentam que a iniciativa representa um sério retrocesso democrático. O bloco conservador pretende impor dogmas morais às políticas de saúde pública do país.
A rejeição dos manifestantes chilenos também aponta a falta de educação sexual ampla nas escolas públicas. Grupos feministas exigem que o governo implemente políticas preventivas eficazes e garanta o acesso gratuito a contraceptivos.
A manifestação terminou de forma pacífica, mas com a firme promessa de retornar às ruas caso o projeto avance nas comissões do Legislativo — a luta pela autonomia corporal continua sendo prioridade na agenda social chilena.
(*) com teleSUR



