COLUNA TE EXPLICO AQUI | “Ele só come quatro coisas”, por Dra. Thatyana Turassa

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“Doutora, ele só come arroz branco, batata frita e biscoito. Qualquer coisa diferente no prato vira guerra.”
Eu escuto essa frase quase toda semana.
Não é manha. Para muitas crianças com TEA e TDAH, comer é uma experiência sensorial extrema. Textura na língua, cheiro no ar, temperatura no dedo. Um pedaço de tomate pode ser ácido, molhado e imprevisível ao mesmo tempo. Para um cérebro que processa estímulo de forma intensa, isso é informação demais.
A criança está se defendendo de algo genuinamente desconfortável para ela.
E isso tem custo. Entre 40% e 80% das crianças com TEA apresentam seletividade alimentar significativa. Quando o cardápio fecha em três ou quatro opções, normalmente ultraprocessadas, faltam peças importantes: ferro, zinco, vitamina D, vitamina B12, ômega-3. Nutrientes que produzem neurotransmissores, regulam sono, regulam atenção.
A criança come mal porque está desregulada. Fica mais desregulada porque come mal.
Quando uma família chega com essa queixa, eu não entro tentando convencer a criança a comer verdura. Isso desgasta todo mundo e raramente funciona. Entro investigando o que falta no corpo dela agora, com exame e história clínica. Havendo carência real, é possível repor de forma individualizada o que o prato não está entregando, enquanto o trabalho de ampliação alimentar segue com terapeuta ocupacional ou fonoaudiólogo.
Um não substitui o outro. Mas dá ao cérebro o suporte que ele precisa enquanto o resto acontece.
Se o seu filho só come quatro coisas e o comportamento piora junto, talvez a pergunta não seja como fazer ele comer. Seja o que este corpo está pedindo.

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Dra. Thatyana Turassa é médica pediatra especializada em TEA, TDAH e medicina integrativa, com formação pelo CBI of Miami e Certificação Thiago Castro. Acompanha crianças unindo clínica convencional, investigação nutricional e suplementação individualizada.

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