Pela primeira vez na história, a ONU declara o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas da África como o mais grave crime contra a humanidade. A decisão foi tomada depois de a aprovação de uma resolução apresentada por Gana e que teve o apoio do Brasil e um total de 123 países.
A resolução teve 52 abstenções e apenas três votos contrários, de Estados Unidos, Israel e Argentina.
A medida foi comemorado pelo movimento negro brasileiro, que pressionaram o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a apoiar o projeto.
Nos últimos dias, organizações do movimento negro, como a Coalizão Negra por Direitos e o Instituto de Referência Negra Peregum, realizaram uma agenda de incidência política em apoio à iniciativa do governo de Gana junto às Nações Unidas. A mobilização incluiu reuniões e interlocução com diferentes órgãos do Estado brasileiro.
Para Vanessa Nascimento, diretora institucional do Instituto de Referência Negra Peregum, o reconhecimento aprovado pela ONU contribui para qualificar o debate internacional sobre os efeitos da escravidão. “A escravidão não foi apenas um capítulo do passado, mas um sistema estruturado de desumanização, violência e exploração que moldou a formação do mundo moderno e segue produzindo desigualdades até hoje”, disse.
Sua esperança é de que a resolução também possa influenciar o debate internacional sobre políticas de reparação e ampliar a discussão sobre medidas de enfrentamento ao racismo estrutural em diferentes países.
Fonte: ICL Notícias


