Do ápice ao declínio: Tiririca perde mais de 1,2 milhão de votos em SP e tenta socorro eleitoral no Ceará.

Compartilhe:

Da Redação do Portal GPN

O cenário político assiste ao melancólico ocaso do fenômeno eleitoral que marcou as duas últimas décadas no Brasil. Após representar o estado de São Paulo por 16 anos consecutivos na Câmara dos Deputados, o humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, o “Tiririca”, abandonou o eleitorado paulista para tentar refazer sua carreira política no Ceará, sua terra natal. A mudança de domicílio eleitoral não é mero acaso: trata-se de uma manobra de sobrevivência motivada por um sangramento de votos sem precedentes, que expõe o esgotamento do voto de protesto e o desgaste da figura do artista no parlamento.

O histórico nas urnas revela a dimensão da derrocada. Em 2010, sob o slogan “Pior que tá não fica”, Tiririca foi o deputado federal mais votado do país, arrebatando impressionantes 1.353.820 votos no eleitorado paulista e atuando como um poderoso “puxador” de coligação. No entanto, nas eleições subsequentes, a votação começou a desidratar de forma avassaladora: foram 1,01 milhão de votos em 2014, caindo para 445 mil em 2018. O ápice do declínio ocorreu em 2022, quando o palhaço obteve apenas 71.754 votos — uma perda estarrecedora de quase 1,28 milhão de sufrágios em relação à sua estreia na política. Em vez de puxar novos parlamentares, o ex-fenômeno raspou o fundo do tacho e dependeu da sobra partidária para abocanhar a última vaga do estado na Câmara.

Diante do nítido rejeito e do cansaço do eleitor de São Paulo, a estratégia agora é apelar ao sentimento nativista. A própria esposa do parlamentar, Nana Magalhães, usou as redes sociais para fazer um apelo direto aos cearenses, pedindo que deem uma chance ao artista em seu estado de origem. Agora filiado ao PSD, Tiririca busca sensibilizar o eleitor do Ceará resgatando suas raízes e sua história de superação humilde, tentando convencer a população local de que ainda tem algo a oferecer no Congresso Nacional.

A migração de praça expõe a crise de um modelo de representação política pautado exclusivamente no folclore e no deboche. Depois de quatro mandatos marcados por uma atuação apagada no Plenário e pelo uso exaustivo do Fundo Partidário, o apelo nostálgico no Ceará surge como o último cartucho de um projeto político em acelerada decadência. Resta saber se o eleitorado cearense estará disposto a aceitar como salvador da pátria quem acabou descartado pelo maior colégio eleitoral do país.

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web