EDITORIAL| Chega de estatísticas: Marília exige uma rede de saúde mental à altura da tragédia que vivenciamos.

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Da Redação do Portal GPN

Não é mais possível tratar o sofrimento psíquico da nossa população com notas oficiais protocolares ou discursos vazios de conscientização. Quando um município do porte de Marília ultrapassa a marca de 600 registros de violência autoprovocada em apenas nove meses — atingindo a média aterradora de mais de dois casos por dia —, o tempo da mera lamentação esgotou-se. Estamos diante de um colapso social e de saúde pública que expõe a fragilidade, a omissão e a insuficiência das políticas públicas municipais voltadas à prevenção e ao acolhimento psicológico.

Os números não mentem e não podem ser maquiados: o crescimento vertiginoso dos índices ano a ano demonstra que as estratégias adotadas até aqui falharam. A sociedade mariliense está adoecendo à vista de todos, corroída pela depressão, pela falta de perspectivas e pelo isolamento, enquanto as respostas do poder público continuam sendo tímidas, reativas e burocráticas. Onde estão os programas permanentes de busca ativa nas escolas e periferias? Onde está o fortalecimento real da rede dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que hoje se veem sobrecarregadas e sem estrutura adequada para atender à demanda reprimida?

A saúde mental não pode continuar sendo tratada como a “parenta pobre” da saúde pública, lembrada apenas durante as campanhas do Setembro Amarelo. Cobramos das autoridades municipais, dos gestores da saúde e dos representantes políticos ações imediatas e concretas: aporte urgente de recursos, contratação de profissionais especializados, ampliação do horário de atendimento das unidades de suporte psíquico e a criação de uma força-tarefa intersetorial que envolva saúde, educação e assistência social.

A vida e a integridade do cidadão mariliense devem ser prioridade absoluta. Ignorar a gravidade desse cenário ou empurrar a responsabilidade com a barriga é atitude que beira a cumplicidade com o sofrimento alheio. Marília não precisa de mais diagnósticos; precisa, com urgência, de atitude, planejamento e investimentos capazes de estancar essa sangria e devolver a esperança à nossa gente.

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