O Brasil assiste a um fenômeno sombrio e perigoso: o avanço de um messianismo político que beira o fundamentalismo mais radical. Estamos diante de um cenário de “endeusamento” de figuras humanas que, longe de serem divinas, utilizam a fé como escudo para projetos de poder. Onde já se viu políticos e aspirantes a cargos públicos vestirem a túnica de Deus para profaná-la, apresentando-se como autores de milagres em palanques que deveriam ser de debate democrático?
A sociedade está se contaminando com essa mistura explosiva. Falsos pregadores, verdadeiros lobos disfarçados de cordeiros, atacam rebanhos inocentes com um único objetivo: o voto. Eles ostentam a cruz como instrumento de fé, mas, na prática, colocam o povo sofrido no calvário da exclusão, da desinformação e da manipulação emocional.
1. O TEATRO DO MILAGRE ELEITORAL
É preciso que o eleitor esteja atento. O messianismo na política é o refúgio dos medíocres e o instrumento dos tiranos.
- Predadores da Inocência: Não há nada mais vil do que o oportunismo de quem empunha as mãos sobre a cabeça de pessoas doentes ou de pessoas simples em busca de “likes” ou de apoio nas urnas. São os piores predadores da inocência cristã, vendendo uma cura que não possuem para esconder a desídia de uma gestão que não entrega saúde pública de qualidade.
- O Oportunismo da Fé: Onde já se viu a oração virar moeda de troca? Enquanto esses “messias” de ocasião fazem shows de fé, a realidade das ruas é de buracos, falta de medicamentos e hospitais lotados. Eles prometem o céu para que o povo não perceba o inferno administrativo em que vivem.
2. O RISCO À DEMOCRACIA E O ESTADO LAICO res são servidores do povo, sujeitos à crítica e à fiscalização, não divindades infalíveis.
- Soberba e Alter-Ego: Esses personagens sofrem de uma soberba tamanha que acreditam estar acima da lei e da razão. Eles usam o sagrado para interditar o debate. Se você critica a gestão, eles dizem que você está “atacando a fé”.
- O Anacronismo do Fundamentalismo: O retorno a esse tipo de política sectária é um retrocesso civilizatório. O eleitor brasileiro não pode aceitar que a liberdade de crença seja sequestrada por projetos de poder que visam apenas o desmonte das políticas sociais e o favorecimento de elites.
3. ATENTAI, POVO: A CRUZ NÃO É PALANQUE!
O voto é um instrumento de cidadania, não um dízimo político. Quem usa o nome de Deus em vão para justificar o sucateamento do Estado, a repressão de direitos e a privatização de benesses está cometendo o mais grave dos estelionatos: o espiritual.
A sociedade brasileira deve rejeitar o messianismo. O verdadeiro milagre que precisamos é o da honestidade na gestão, do asfalto sem buracos, da escola de qualidade e da saúde que funciona. Fora disso, o que sobra são apenas lobos uivando para um rebanho que eles pretendem tosquiar na próxima eleição.
Reflexão: Você já se sentiu pressionado ou manipulado por discursos religiosos em época de eleição? O que você pensa de políticos que fazem “orações públicas” enquanto a cidade sofre com o descaso básico? É hora de separar o que é de Deus do que é da Prefeitura!
📌 Pela liberdade de crer e pela coragem de fiscalizar.


