ELEIÇÕES| Dois caminhos para o eleitor brasileiro seguir→ democracia e liberdade, com Lula; ruptura política e social, com Flávio Bolsonaro.

Compartilhe:

Há candidaturas que se apresentam como ruptura. Outras, como continuidade. A de Flávio Bolsonaro parece apostar, sem constrangimento, na segunda opção — ainda que isso implique herdar não apenas o capital político, mas também as contradições de um projeto que já foi testado.

Filho político e biológico de Jair Bolsonaro, Flávio carrega consigo algo mais do que um sobrenome: traz uma concepção de país. E é justamente essa concepção que merece escrutínio.

Nos últimos dias, a declaração de Luiz Inácio Lula da Silva — de que o senador poderia “entregar o Brasil aos Estados Unidos” — foi tratada por aliados como exagero retórico. Pode ser. A política, afinal, não é terreno conhecido pela moderação verbal. Ainda assim, a frase tem o mérito de iluminar uma questão incômoda: qual é, afinal, o limite entre alinhamento estratégico e dependência?

Não é novidade que setores da direita brasileira veem na proximidade com Washington uma espécie de atalho para o desenvolvimento. A história, no entanto, recomenda cautela com soluções fáceis. Países não se fortalecem terceirizando suas decisões centrais, muito menos transformando recursos estratégicos em moeda de barganha apressada.

O problema não está em dialogar com os Estados Unidos — seria absurdo sugerir o contrário. O ponto sensível é outro: quando o diálogo perde densidade e passa a soar como eco; quando a política externa deixa de ser instrumento de afirmação nacional para se tornar reflexo automático de interesses alheios.

Nesse sentido, as sinalizações de Flávio Bolsonaro não tranquilizam. Ao contrário, sugerem a permanência de uma visão que enxerga o Brasil menos como protagonista e mais como parceiro júnior — um país de vocação secundária, cuja grandeza parece sempre depender do aval externo.

Talvez seja esse o verdadeiro debate que se anuncia, ainda que envolto em slogans e disputas eleitorais: não se trata apenas de escolher um presidente, mas de decidir se o Brasil continuará buscando seu lugar como ator soberano ou se aceitará, resignado, uma posição de conveniência no cenário internacional.

A resposta, como sempre, não virá das palavras — mas das escolhas.

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web