Gustavo Perez Pereira Andrade| ELEGER LULA OU ORGANIZAR A CLASSE TRABALHADORA?!

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Primeiramente, não necessariamente os temas como as eleições e a organização dos trabalhadores deveriam se contrapor, mas na conjuntura em que estamos, a maioria dos que empregam a energia nas eleições, e que acreditam na mágica das urnas, não estão preocupados com a organização dos trabalhadores no médio e longo prazo e nem na construção de uma consciência de classe para enfrentar a ascensão da extrema direita e ainda alguns  elementos da esquerda pequeno-burguesa que apoiam Lula por oportunismo eleitoral visando se projetar para as próximas eleições.

A mágica das urnas ou do sufrágio universal não são as únicas formas de mudar a realidade, se está máxima fosse a verdade, o Brasil teria conquistado sua independência pelo voto, Dom Pedro I teria feito um referendo antes de abdicar e os republicanos em vez de depor Dom Pedro II num golpe de estado, pediriam para o povo escolher entre a república e a monarquia, há inúmeros exemplos na história da humanidade e brasileira que demonstram que nem sempre a urnas são válidas para a transformação social como a Revolução de 30, o suicídio de Vargas e o Golpe de 1964, ou movimento político das Diretas Já.

É importante que se realmente há pessoas preocupadas com a democracia, que estas se organizem nas escolas, nas fábricas, nas universidades, nos locais de trabalho, pois só ampla mobilização popular pode deter os anseios golpistas da extrema-direita. Quando falo de organização, falo da criação de coletivos, redes midiáticas, de partidos operários e para não ficar no abstrato, acredito que neste momento só o PCO, Partido da Causa Operária, está apto para a tarefa de liderar a luta da classe trabalhadora pela sua emancipação política e econômica constituindo a principal vanguarda da luta democrática no país e em defesa dos direitos sociais e políticos dos trabalhadores.

A única forma de derrotar a a extrema-direita é pela organização e mobilização dos trabalhadores em torno de um projeto de estado que emancipe a classe trabalhadora e a livre do jugo do capital financeiro que impede o desenvolvimento econômico da nação, e, portanto, isto só será assegurado com o fim da política neoliberal implementada desde o governo FHC que jogou milhões de trabalhadores brasileiros na miséria, no subemprego aprofundando a desindustrialização do país.

A derrota de Lula, se acontecer, não é só a derrota de uma candidatura, mas também é a derrota de uma política, da política de frente ampla, da política de conciliação de classes, uma vez que a esquerda hegemônica em vez de impulsionar a organizar dos trabalhadores, optou por aliar-se aos segmentos “progressistas” de uma direita sem voto, antipovo, antipopular e que a partir de 2018 caiu no descrédito popular.

Não importa qual candidato vença as eleições, com a maioria do parlamento ou não, terá apoio de apenas metade do eleitorado, excluindo os que não se abstiveram ou anularam o voto, a extrema-direita está iludida como esteve a esquerda quando chegou ao poder, ter o executivo do país, não é ter controle econômico e midiático exercido por poucas famílias, independente de quem vença, independente da propaganda midiática em defesa do capitalismo e da ameaça comunista, à  agenda econômica e política  do próximo governo é a agenda da Faria Lima, do capital financeiro, em resumo dos banqueiros do país, e é evidente que ganhando a extrema-direita a tendência geral é o aprofundamento desta política que jogou milhões na miséria desde o governo FHC.

O descontentamento popular canalizado pela extrema-direita é em parte pela miséria e o subemprego que atinge conjunto da população brasileira resultado do neoliberalismo, mas por outro lado está força política aproveitou-se do identitarismo da esquerda pequeno-burguesa, das pautas dos grupos minoritários para espalhar o medo entre o trabalhador médio acusando a esquerda tradicional de dividir o país por cores, sexo ou orientação sexual ou de estar trabalhando pelo fim da família. Além disso a extrema-direita em nome das liberdades individuais, elegeu candidatos que pregam que suas escolhas individuais sejam a da maioria, que suas pautas individuais sejam a da coletividade, assim como a esquerda pequeno-burguesa, a extrema-direita está cheio de pautas morais que não vão resolver os problemas econômicos que afetam o conjunto dos trabalhadores, e você já viu este filme antes, mas agora é com outras cores!

Gustavo Perez Pereira Andrade| Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”- Faculdade de Filosofia e Ciências, na linha de pesquisa 4-Relações Internacionais e Desenvolvimento. Graduado em Ciências Sociais também pela UNESP- FFC. Lecionou na rede pública estadual paulista 2014-2026. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Estrutura e Transformação do Estado. Atualmente trabalha no comércio como repositor.

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