Faltam exatamente três meses para as eleições do dia 4 de outubro — data em que os eleitores vão às urnas escolher presidente, governadores, senadores, além de deputados estaduais e federais. Se houver necessidade, o segundo turno para os cargos majoritários acontecerá em 25 de outubro.
À medida que o calendário avança para as convenções partidárias, o registro oficial de candidaturas e o início do corpo a corpo nas ruas, nas telas e nas redes, a grande pergunta que o cidadão deve se fazer é: os nomes apresentados realmente merecem o seu voto e representam a nossa cidade e região? Estamos diante de uma oportunidade real de renovação ou apenas assistindo à continuidade da velha política? Você, eleitor, conhece as propostas de quem quer te representar?
Na “região 014”, os bastidores fervem e as apostas já foram lançadas por candidatos de distintas bandeiras. Entre as principais lideranças, o cenário é dominado por estratégias que misturam tradição familiar, liberação de recursos e parcerias controversas. Veja quem são os nomes da nossa região que pretendem concorrer e as movimentações de bastidor mapeadas pelo Radar 014:
- Fabiana Camarinha: A tradição da família Camarinha ganha um novo capítulo. Após o experiente Abelardo Camarinha ter se tornado inelegível, a aposta para o pleito foi transferida para sua esposa, Fabiana, que já atua como vereadora em Marília, tendo sido a mais votada em 2024 com 4.281 votos. Caso seja eleita para o parlamento, ela abandonará a cadeira na Câmara Municipal — uma prática que já virou rotina na dinastia familiar, a exemplo do ex-prefeito Vinicius, que deixou o cargo de deputado estadual na época para assumir o Executivo mariliense.
- Dani Alonso: Seguindo a mesma lógica das heranças políticas, o ex-prefeito Daniel Alonso aposta as fichas na filha, Dani Alonso, repetindo a estratégia que deu certo em 2022, quando ela conquistou uma cadeira como deputada estadual. Atualmente, Dani segue em ritmo acelerado de visitas às prefeituras do interior paulista, carimbando e liberando verbas e recursos para diversos municípios nestes meses cruciais que antecedem o início oficial da campanha eleitoral.
- Capitão Augusto: Deputado federal pelo Partido Liberal (PL) e marido de Dani Alonso, o parlamentar tenta ampliar seu capital político na região colando sua imagem à da esposa. Suas principais bandeiras continuam focadas em discursos corporativistas voltados à segurança pública e na forte interlocução com o setor dos rodeios no interior.
- Ulisses do Rodeio: O empresário mariliense busca atrair a atenção do eleitorado surfando justamente na onda dos eventos sertanejos. Ulisses lançou recentemente sua pré-campanha ao lado de uma figura polêmica: Paulinho, do Solidariedade. O padrinho político de Ulisses, de origem sindical mas hoje atuando com vigor na extrema-direita, carrega no currículo uma condenação pesada em 2020 pela Primeira Turma do STF a 10 anos e 2 meses de prisão por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
- Reinaldo Alguz: Político experiente e com forte poder de articulação na Nova Alta Paulista, Alguz está sem mandato desde que foi derrotado no último pleito eleitoral. Tudo indica que ele deve concentrar seus esforços para tentar carimbar seu retorno à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).
- Walter Ihoshi: Ex-deputado e atual presidente da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Ihoshi atua também como diretor de convênios na região, sendo um nome carimbado na política local. À medida que a eleição se aproxima, ele intensifica o contato com lideranças regionais de olho em uma vaga, amparado por sua forte ligação de bastidor com o controverso Gilberto Kassab.
- Juliano da Campestre: Após amargar uma derrota na última disputa, ele ressurge como pré-candidato a deputado federal. Juliano tem apostado de forma massiva nas redes sociais, promovendo postagens exaustivas com o seu próprio nome na tentativa de massificar sua imagem e assegurar o cargo em Brasília.
O tabuleiro está posto e as cartas estão na mesa. Cabe agora ao eleitor de Marília e região analisar profundamente quem de fato trabalha pelo desenvolvimento regional e quem apenas enxerga o voto como um negócio de família ou de continuidade do poder.


