O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) abriu um inquérito civil que caiu como uma verdadeira bomba nos bastidores da política e da proteção animal em Marília. A 2ª Promotoria de Justiça, sob a liderança do promotor Oriel da Rocha Queiroz, instaurou investigação minuciosa para apurar a realização de eutanásias, as metas de castração, a capacidade do abrigo e o funcionamento real da Unidade Básica de Saúde (UBS) Animal dentro do contrato milionário de R$ 8,4 milhões firmado entre a Prefeitura e a empresa BG Zangrossi Serviços Veterinários Ltda.
Da Redação do Portal GPN
Sombra sobre eutanásias, superlotação de abrigo e localização distante
A investigação do Ministério Público coloca sob extrema suspeita as práticas adotadas no serviço de manejo e acolhimento animal do município. O promotor requisitou que a empresa apresente todos os laudos, prontuários e registros profissionais que justificaram as eutanásias aplicadas aos animais atendidos pelo contrato. Além disso, o MP alerta que o modelo de gestão adotado pode incentivar o represamento prolongado de cães e gatos em vez de promover feiras de adoção e rotatividade — destacando que o contingente saltou de 185 animais previstos no contrato de 2023 para expressivos 550 no novo instrumento financeiro.
Outro ponto grave questionado pelo promotor é a localização do abrigo em uma área rural distante, o que pode contrariar abertamente a legislação municipal que exige fácil acesso e proximidade com locais de circulação pública para favorecer visitas e adoções da população.
UBS Animal e fiscalização sob devassa: MP exige fiscalização surpresa
A devassa do MP atinge também o funcionamento da UBS Animal, inaugurada em maio de 2026 para operar como pronto-socorro veterinário gratuito (Lei Municipal nº 8.691/2021). O promotor quer saber se a estrutura prometida é realmente oferecida ao munícipe e de que forma a Prefeitura fiscaliza a execução dos serviços do contrato de R$ 8,4 milhões.
A Prefeitura de Marília e a empresa contratada receberam o prazo de dez dias úteis para entregar um verdadeiro raio-x contendo dados mensais de apreensões, castrações, microchipagens, adoções e devoluções de animais comunitários às ruas. Para garantir que a realidade não seja maquiada, o Ministério Público determinou a realização de vistorias técnicas sem aviso prévio no local do abrigo. A apuração prossegue para averiguar se houve violação de leis ambientais ou lesão aos cofres públicos.


