Legenda: Rogério Restini – Jardins Imobiliária
assessoria de imprensa

Levantamento da Fundação Seade mostra que quase 50% da população do Estado de São Paulo já utiliza IA; especialista afirma que tecnologia deixa de ser ferramenta de apoio para assumir atividades operacionais dentro das empresas.
A inteligência artificial deixou de ser uma novidade para se tornar parte da rotina de milhões de paulistas. Levantamento realizado pela Fundação Seade revela que 47% da população do Estado de São Paulo já utiliza ferramentas de IA, como ChatGPT, Copilot e Gemini, principalmente para o trabalho, estudos e atividades pessoais. Ao mesmo tempo em que cresce a adoção da tecnologia, empresas começam a dar um passo além e incorporam agentes de inteligência artificial diretamente às operações, alterando a forma como as equipes trabalham e como os negócios se organizam. O cenário pode ser importante para desenhar a posição de cada trabalhador no mercado futuro.
A pesquisa, realizada em dezembro de 2025, mostra que o uso profissional é o principal motivo para utilização da IA, citado por 39% dos entrevistados. Apesar da expansão da tecnologia, 53% dos paulistas acreditam que ela poderá substituir empregos, refletindo um dos principais debates atuais sobre o futuro do mercado de trabalho. Para o especialista em inteligência artificial aplicada a negócios, fundador da 3C Partner e criador da IA 3C Intelligence, IA capaz de cuidar de tarefas operacionais das empresas, Stenio Purcena, a preocupação existe, mas o cenário observado nas empresas aponta muito mais para uma transformação das funções do que para uma simples substituição de trabalhadores. “Durante muitos anos, crescer significava contratar mais pessoas para executar mais tarefas. A inteligência artificial muda essa lógica ao assumir atividades operacionais repetitivas, permitindo que os profissionais concentrem seu tempo em funções estratégicas, analíticas e de relacionamento. As empresas continuam precisando de pessoas, mas elas passam a atuar onde realmente agregam valor”, afirma.
Segundo Purcena, os avanços recentes da inteligência artificial permitiram que a tecnologia deixasse de ser apenas uma ferramenta de consulta para executar processos completos dentro das organizações. “Hoje a IA consegue compreender contexto, seguir fluxos de trabalho, consultar sistemas, registrar informações e dar continuidade a processos operacionais. Isso representa uma nova etapa da transformação digital das empresas”, explica.
Mudança já é realidade
A transformação já pode ser observada em empresas de Ribeirão Preto. Na Imobiliária Jardins, a inteligência artificial passou a integrar a rotina do atendimento comercial, realizando o primeiro contato com clientes interessados na compra, venda ou locação de imóveis. A colaboradora digital é capaz de consultar o catálogo real da imobiliária, com cerca de 200 imóveis sincronizados automaticamente com o sistema de gestão da empresa e apresentá-lo ao interessado com opções compatíveis com região, tipo e faixa de preço, antes mesmo de o corretor entrar na conversa. Os sócios também recebem da assistente digital, por áudio no WhatsApp, um resumo diário da operação. De acordo com o sócio-proprietário da empresa, Rogério Restini, a principal mudança foi a otimização do tempo dos colaboradores. “Antes nossos corretores dedicavam boa parte do dia ao atendimento inicial e às perguntas repetitivas. Hoje conseguem concentrar no relacionamento com os clientes e nas negociações, enquanto a inteligência artificial garante respostas rápidas e organiza todas as informações”, afirma. Ele destaca que a agilidade no atendimento também impactou diretamente a experiência do consumidor. “O cliente recebe retorno praticamente imediato, independentemente do horário, e isso aumenta significativamente as oportunidades de negócio.”
Novas competências
Embora o levantamento da Fundação Seade mostre que o receio da substituição de empregos ainda é compartilhado por mais da metade da população, Purcena acredita que a tendência é de reorganização das atividades dentro das empresas. Para ele, tarefas operacionais e repetitivas tendem a ser cada vez mais automatizadas, enquanto competências humanas, como criatividade, negociação, liderança, pensamento crítico e relacionamento interpessoal, ganharão ainda mais importância. “A inteligência artificial será cada vez mais uma infraestrutura básica das empresas, assim como aconteceu com a internet. Quem compreender como trabalhar em conjunto com essa tecnologia terá mais produtividade e competitividade. O diferencial continuará sendo humano, mas apoiado por ferramentas inteligentes”, conclui.
Dados da pesquisa
O levantamento da Fundação Seade mostra que o uso da inteligência artificial é maior entre jovens de 18 a 29 anos, faixa em que 74% já utilizam a tecnologia. Entre pessoas com ensino superior, esse percentual chega a 64%, enquanto entre aqueles com renda familiar acima de dez salários mínimos alcança 73%.
Entre os que ainda não utilizam inteligência artificial, os principais motivos são desconhecimento sobre como usar as ferramentas (28%), falta de confiança nos resultados (28%) e não saber para que elas servem (18%). Apesar disso, 61% dos entrevistados consideram que a inteligência artificial traz benefícios para a sociedade, indicando que sua incorporação ao cotidiano tende a crescer nos próximos anos.
Tecnologia ribeirão-pretana
Sediada em Ribeirão Preto pela empresa de tecnologia 3C Partner, a 3C Intelligence, é uma tecnologia de colaboradores digitais que assumem o atendimento inicial, a qualificação de contatos, o acompanhamento comercial e tarefas administrativas repetitivas, operando conectados aos sistemas de gestão de cada empresa. A 3C Intelligence é utilizada hoje por várias empresas de setores como imobiliário, varejo, financeiro e serviços.
De acordo com seus desenvolvedores, o diferencial da plataforma está na capacidade de operar com base no contexto da empresa. A tecnologia pode ser conectada a sistemas de gestão, históricos de atendimento, documentos internos e bancos de dados, permitindo que as respostas e ações estejam alinhadas aos processos do negócio.
A solução surgiu após a identificação de gargalos operacionais comuns em diferentes segmentos, especialmente relacionados à perda de informações, retrabalho, demora no atendimento e dependência de processos manuais. Atualmente, a plataforma já é utilizada por empresas de setores como mercado imobiliário, varejo, publicidade e marketing, consórcios e serviços. A expectativa da empresa é ampliar a atuação para outros segmentos à medida que cresce a demanda por automação baseada em inteligência artificial.
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Bruna Carvalho – brunacarvalho@melhorpalavra.com.br
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