Eram quase 16 horas quando chegou a Juazeiro (BA) o helicóptero trazendo o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, que chegava após participar de evento de campanha em São Luís (MA). Animados por um novo jingle, um funk que pede a abertura do sigilo bancário de Flávio Bolsonaro, milhares de pessoas do Sertão da Bahia, do Piauí e de Pernambuco o aguardavam às margens do rio São Francisco para acompanhar a caminhada em apoio à sua reeleição. Antes de ir às ruas, o líder do PT concedeu uma entrevista e reafirmou sua relação com a região onde nasceu. “Entrei na política com a responsabilidade de não permitir que o Nordeste seja tratado como terra de 2ª qualidade”, disse o presidente.
Nascido em Garanhuns, no semiárido pernambucano, Lula constantemente lembra os esforços da família para obter água. “Por isso fizemos aqui a maior obra hídrica da história do Brasil, que foi a transposição do rio São Francisco. Mas também trouxe indústria automobilística. Nós queremos um país equânime, porque Nordestino não é inferior a ninguém”, pontuou. Historicamente secundarizada nos investimentos públicos federais, a região viu o cenário mudar a partir de 2003, com o primeiro mandato de Lula na presidência. Desde então, o PT tem votações majoritárias na região, algo frequentemente citado em ataques xenofóbicos contra nordestinos por parte de moradores das regiões Sul e Sudeste.
Dirigindo-se ao povo de Juazeiro e Petrolina, Lula se comprometeu construir uma segunda ponte conectando as cidades, mas pediu compromisso dos governos locais. “Fiquei sabendo que o povo quer outra ponte, então vamos fazer. Mas para isso precisa ter projeto, tem que mandar o projeto, só assim se libera dinheiro”, pontuou. Perguntado sobre por que visitar uma região onde já tem votação majoritária, o petista disse que estava lá “para agradecer o carinho que recebo desse povo, mas também estou aqui para pedir mais votos, pedir que o povo convença outras pessoas a saírem para votar no domingo”, explicou. No 1º turno, Lula recebeu 83,4 mil votos (63,3%) em Juazeiro e 116,7 mil (60,2%) em Petrolina.
Ele também destacou que a eleição do próximo domingo (25) “não é a escolha entre um homem ou outro”. “O que está em jogo é o destino do país, se nós seremos um país soberano, dono do próprio nariz, que não seja quintal de ninguém, ou se o Brasil vai ficar de joelhos para os Estados Unidos e entregaremos nossas riquezas minerais”, avaliou.
Orgulho e gratidão nas ruas

Após encararem 35ºC de calor, milhares de sertanejos receberam Lula já sob menos calor, próximo às 17 horas. Presente no evento, a reportagem do Brasil de Fato conheceu a técnica de enfermagem aposentada Clara Maria de Souza, moradora de Juazeiro (BA). Ela carregava um cartaz agradecendo ao presidente por ter três filhos doutores. “Lula é uma pessoa abençoada por Deus. Somos muito gratas a ele principalmente na educação e na saúde. Hoje tenho três filhos doutores graças à ajuda de Lula, o melhor presidente do Brasil”, disse ela à reportagem.
A mãe orgulhosa se referia aos filhos Vitória (advogada e defensora pública), André Luiz (fisioterapeuta) e João Victor (nutricionista). Foi do governo Lula a criação do Reuni, programa federal de investimentos na reestruturação e expansão das universidades federais, permitindo a ampliação de vagas em cursos já existentes, a criação de novos cursos a partir da ampliação da infraestrutura universitária, mas também a criação de novas universidades.
A filha Vitória disse ao BdF que se inspira na mãe, na avó, mas também na mãe de Lula, dona Lindu. “Ela ensinou ele a teimar. Eu estou aqui hoje pela teimosia de minha mãe e minha avó. Mas também sou fruto de políticas públicas e do investimento em educação. Sou fruto da crença de que nós, quilombolas e periféricas, também podemos ocupar esses espaços. Lula é uma figura revolucionária até nisso: ele nos impulsiona a teimar, a querer. E esse Brasil que teima precisa seguir teimando para superar nossas desigualdades históricas”, afirmou a defensora pública.
As três federais em terras pernambucanas — UFPE, UFRPE e Univasf — passaram por ampliações no governo Lula, na gestão de Fernando Haddad no ministério da Educação. Durante os mandatos de Lula foram criadas no Nordeste as universidades do Recôncavo da Bahia (2005), da Lusofonia (2010) e estão em obras as universidades federais Indígena (2026) e do Esporte (2026). Durante os governos da sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), foram criadas na região as universidades do Sul da Bahia (2013), do Oeste da Bahia (2013) e do Cariri (2013).
Sigilo bancário e a “bolsa farelo”

Ainda na entrevista, Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos telefônico e bancário, algo proposto pelo petista no último domingo (18), cara a cara com o adversário, durante o debate transmitido pela TV Band. “Meus advogados foram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) hoje pela manhã e entregamos a autorização para que seja aberto o meu sigilo telefônico e bancário, desde que ele também abra o dele. Assim o Brasil vai saber quem é realmente ladrão e quem é honesto neste país. Mas ele não tem coragem de abrir, porque a vida dele é podre”, disparou.
Lula também citou uma publicação de Flávio datada de 2011, quando o senador classificou o programa Bolsa Família como “bolsa farelo”, sugerindo que cada beneficiário só tivesse direito ao programa durante dois anos. “É esse tipo de gente que está querendo chegar à presidência da República”, lamentou o mandatário.
Perdão de dívidas dos MEIs e PEC da Tarifa Zero
O presidente também prometeu assinar, nesta quarta-feira (21), o perdão de R$ 15 bilhões em dívidas dos microempreendedores individuais (MEIs). “Todo mundo nasce pequeno, mas todo mundo tem o objetivo de crescer. Então vou sancionar amanhã essa anistia das dívidas, para que os MEIs comecem uma vida nova sem as dívidas atrapalhando eles no Serasa”, pontuou. Também nesta quarta, ele deve enviar ao Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) garantindo uma fatia das emendas parlamentares para viabilizar um programa de tarifa zero aos fins de semana no transporte público coletivo de todo o Brasil.
Fonte: Brasil de Fato


