DA EDITORIA INTERNACIONAL DO PORTAL GPN
MIAMI / BRASÍLIA – A recente libertação de Alexandre Ramagem pelas autoridades imigratórias dos Estados Unidos, apenas dois dias após sua detenção pelo ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), acendeu um sinal de alerta sobre a gritante disparidade no tratamento dado a cidadãos brasileiros em solo norte-americano. Enquanto milhares de trabalhadores honestos são sumariamente deportados, Ramagem — condenado a 16 anos de prisão pelo STF por tramar contra a própria pátria — encontra abrigo sob o regime de conveniência política do governo Trump.
Dois Pesos e Duas Medidas
O contraste é imoral. Diariamente, aviões fretados pelo governo dos EUA devolvem ao Brasil pais e mães de família cujo único “crime” foi buscar dignidade através do trabalho. Para esses, não há fiança, não há “análise de asilo” célere e não há benevolência. Contudo, para um ex-delegado da Polícia Federal que fugiu clandestinamente do país para escapar de uma sentença por tentativa de golpe de Estado, o sistema americano parece oferecer um tapete vermelho.
Ramagem, que teve seu mandato cassado e seu passaporte diplomático anulado, alegou “perseguição política” para garantir sua soltura. A rapidez com que foi liberado, sem sequer pagar fiança, sugere que as conexões políticas entre a extrema-direita brasileira e o atual governo dos EUA pesam mais do que os tratados de extradição e o respeito à soberania jurídica do Brasil.
A Farra do Dinheiro Público no Exterior
A indignação popular ganha novos contornos ao se observar a situação financeira da família do condenado. Enquanto Ramagem desfruta da liberdade na Flórida, sua esposa, Rebeca Ramagem, continua vinculada aos quadros públicos com salários que superam os R$ 46 mil mensais.
Mesmo após decisões do STF que tentaram suspender tais vencimentos e bloquear contas para garantir o ressarcimento ao Estado, a defesa da servidora alega “perseguição” para manter o fluxo de recursos. É a institucionalização do escárnio: o casal vive no exterior, foragido da justiça brasileira, enquanto a máquina pública do Brasil, ironicamente, continua sendo a fonte de sustento de quem conspirou para derrubar suas instituições.
Ameaça à Democracia e Conivência Internacional
A permanência de Ramagem nos EUA não é apenas uma questão imigratória; é um insulto à segurança nacional brasileira. Ao acolher um indivíduo condenado por crimes gravíssimos contra o Estado Democrático de Direito, o governo americano envia uma mensagem perigosa de que o território ianque é um porto seguro para conspiradores.
A sociedade brasileira e as autoridades diplomáticas agora aguardam: o pedido de extradição entregue pelo Ministério da Justiça será honrado, ou a “estátua da liberdade” continuará sendo o escudo para quem tentou subverter a vontade popular nas urnas? A luta pela justiça não pode parar na fronteira, e o povo brasileiro não aceitará que o crime de traição à pátria seja recompensado com férias prolongadas em Miami.


