Pai de Andréa Sadi ofende corintianos e são-paulinos em fala higienista

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História de Menon – REVISTA FORUM

A candidatura de Carlos Sadi, conselheiro do São Paulo, à vice-presidência do clube, subiu no telhado. Ele é pai da jornalista Andréa Sadi, da Globo e faz parte do oposição do São Paulo. Estava muito cotado para a chapa de Marcelinho Portugal Goouvêa, mas uma preconceituosa entrevista dada a São Paulo Digital, tornou sua manutenção insustentável. Ele deve se retirar da chapa.

E o que ele falou na tal entrevista?

“O São Paulo perdeu o glamour. ‘Ah, você é saudosista’. Eu não sou saudosista, pô. Se eu não tivesse glamour, ia torcer para o Corinthians e ia para Itaquera, não ia orar no Morumbi. Desculpe, eu sou mesmo elitista”.

Em outro trecho da gravação, ele troca o preconceito por Itaquera pelo de Paraisópolis.

“Eu fui acostumado com o São Paulo de Paulo Planet Buarque, Brasil Vita e agora você botou o baixo clero para trabalhar aqui dentro, velho. Desculpa, você casou com a mulher de Paraisópolis e a família inteira está morando com você”.

São declarações de um higienista. Quem mora no Morumbi é bom, quem mora em Itaquera é ruim. E Paraisópolis? É ruim casar com mulher de lá e ainda trazer a família para morar em casa. Só faltou defender a construção de um muro.

Sadi, ao fazer estas colocações ofende corintianos, mas ofende também os são-paulinos. Talvez ele não saiba, talvez ele seja contra, mas existem muitos são-paulinos em Itaquera e em Paraisópolis. É gente pobre ou rica – sim, há gente rica em Itaquera e em Paraisópolis, para desgosto de Sadi – que pagam ingresso, tomam ônibus, vão de carona, gastam gasolina e compram ingresso para ver o São Paulo jogar. E sofrem com a atual situação do clube, levado à quase inadimplência por gente que, estes sim, não moram em Itaquera e nem em Paraisópolis.

O São Paulo, Sadi não deve saber disso, tem uma torcida enorme, em todo o Estado e em todo o País. Não se limita aos conselheiros do clube, que geralmente são sócios do Paulistano. É esta quantidade enorme de são-paulinos que ama e sustenta o clube. Quando o São Paulo tinha dirigentes ousados, contratou Leônidas da Silva, por exemplo. Uma multidão foi buscá-lo na estação de trem. E o carregaram nos ombros. Coisa que Sadi não deve ter coragem de fazer.

O pior de tudo, para o São Paulo, é que Carlos Sadi não é o único. Ele verbalizou o que muita gente do Conselho – os 260 iluminados que estão afundando o clube em dívidas – pensa. São elitistas, arrogantes, preconceituosos, asquerosos. Bolsonaristas, claro.

Carlos Sadi soltou uma declaração dizendo que foi mal interpretado. E um vídeo, dizendo “Não sou elitista, nunca desdenhei de ninguém, sou um cara simples, trabalhador. Tive uma falha de oratória, fui infeliz”.

Devia ter feito um power point, como a filha.

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