‘Podemos competir com qualquer seleção’, diz goleiro Vozinha em entrevista exclusiva

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Goleiro da seleção de Cabo Verde e um dos grandes destaques da Copa do Mundo de 2026, Josimar Dias, conhecido como Vozinha, celebrou, em entrevista exclusiva ao repórter André Vieira, da TeleSur em parceria com o ICL Notícias, o empate histórico sem gols diante da Espanha, uma das favoritas ao título. A partida marcou a estreia de Cabo Verde em Copas do Mundo e teve o arqueiro de 40 anos como principal nome em campo.

A atuação transformou Vozinha em um fenômeno nas redes sociais. Sem clube desde o fim de seu último contrato, o goleiro ganhou mais de 12 milhões de seguidores em poucos dias, impulsionado principalmente pelo público brasileiro após uma campanha promovida pela CazéTV.

Confira os principais trechos da entrevista:

Empate com a Espanha

“Foi um jogo bom de toda a equipe, sabíamos que íamos jogar contra uma das melhores seleções do mundo, com muita qualidade individual e coletiva, com muita posse de bola.”

“Estamos todos felizes e satisfeitos. Começar o Mundial contra uma seleção favorita para ganhar e conseguir o resultado que conseguimos nos deixa muito orgulhosos. Parabéns a todos nós pelo excelente trabalho que fizemos.”

Clima após o resultado

“O clima está tranquilo. Obviamente, a torcida ficou muito feliz pelo resultado, pelo esforço e pela exibição que conseguimos. Mas nós sabemos da qualidade do nosso grupo, das nossas limitações e que podemos competir sempre com qualquer seleção. No futebol, tudo pode acontecer em 90 minutos.

Nós estamos aqui para competir. Estamos satisfeitos com o resultado, mas isso ainda não acabou, temos um longo caminho pela frente”

Explosão de seguidores nas redes sociais

“Não esperava por isso. Primeiramente, quero agradecer a todos os fãs, todas as pessoas que fizeram isso, à Cazé TV, que fez essa campanha. Os brasileiros sempre tiveram muito carinho pela nossa seleção, por Cabo Verde. Tem sido incrível.”

“Vou continuar a ser a mesma pessoa, o mesmo Vozinha de sempre. Quero agradecer a todos os brasileiros que fizeram isso acontecer. Não tenho palavras para agradecer isso. Foi um fenômeno que ganhou dimensões surreais.”

Vozinha, goleiro da seleção de Cabo Verde, após empate com a Espanha na Copa do Mundo, em 15 de junho de 2026. Foto: Roberto Schmidt/AFP
Vozinha, goleiro da seleção de Cabo Verde, após empate com a Espanha na Copa do Mundo, em 15 de junho de 2026. (Foto: Roberto Schmidt/AFP)

Possível ida da mãe ao Mundial

“Há muitas coisas distorcidas. A minha mãe nasceu e cresceu em Cabo Verde, nunca saiu para fora, nem gosta de ir para outras ilhas. No primeiro momento, a minha mãe não queria vir porque ouviu que eu tinha que pagar um caução de 15 mil dólares. Ela disse que não valia a pena, que eu desse o dinheiro a ela.”

“Quando ela viu que meu pai já tinha ido tratar o visto, ela se sensibilizou e sentiu que era bom estar aqui. Há muitas notícias que são falsas, mas muitas pessoas tentaram ajudar e eu agradeço isso de coração.”

“Todas as providências estão sendo tomadas. Vou tentar convencer minha mãe a vir porque eu gostaria que ela estivesse aqui também. Espero que, se ela conseguir vir ao segundo ou ao último jogo, seria muito bom.”

Início no futebol

“Sempre tive bola em casa. Na minha casa todos amam futebol, gostam de assistir e desde sempre gostei de jogar como goleiro. No início foi tudo muito bom. Fui sempre um dos melhores goleiros da minha ilha e depois, já perto dos 17 anos, eu era um pouco baixinho e, muitas vezes, os treinadores me tiravam porque era muito baixo e tinham goleiros mais altos.”

“Eu gostava sempre de estar na rua jogando futebol ou no campo. Sempre fui muito dedicado, focado, disciplinado, sempre sonhei em ser jogador profissional, abdiquei de muitas coisas. Perdi partes da minha infância e juventude por conta disso, mas sou grato por tudo.”

Apelido Vozinha

“Eu era muito rebelde. Às vezes apanhava na rua e não conseguia revidar porque os outros garotos eram maiores do que eu ou mais fortes. Eu ficava com raiva e falava que ia fazer queixa aos meus avós. Por conta disso, surgiu o apelido.”

Pós-Copa

“Nesse momento, eu quero ajudar Cabo Verde a chegar o mais longe possível no Mundial. Sei que não vai ser fácil, temos que trabalhar muito por isso. Eu acho que, pela carreira que eu fiz, por tudo o que eu fiz como pessoa e como jogador, talvez merecesse jogar em campeonatos de dimensões maiores, mas também sei que, muitas vezes, vão ver a idade.

Nesse momento, eu espero que, sinceramente, depois disso tudo, apareça algum lugar onde eu possa ser feliz, fazer um bom contrato e estar satisfeito. Vamos ver o que o futebol e a vida têm guardado para mim para esses últimos dois, três ou quatro anos da minha carreira”.

Veja a entrevista completa:





Fonte: ICL Notícias

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