O Ilê Dùn – Culinária e Espaço Cultural Diaspórico, no bairro do Barro, Zona Oeste do Recife, recebe neste sábado (7), das 14h30 às 22h, o encontro “Ebó: Tradições e Resistência”. Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reúne música, poesia falada, performance, contação de histórias, artes visuais e uma feira de mulheres pretas empreendedoras. A iniciativa propõe um espaço de valorização das culturas afro-diaspóricas, da memória coletiva e dos conhecimentos transmitidos entre gerações.
Com atrações formadas por artistas pernambucanos, o evento marca a culminância de um projeto cultural que articula diferentes expressões artísticas e práticas tradicionais. Ao longo da tarde e da noite, o público poderá acompanhar apresentações autorais, participar de atividades abertas e conhecer iniciativas de empreendedorismo local. A programação também contará com pintura ao vivo da artista visual Bia, conhecida como MatrizB, durante todo o encontro.
Idealizado pelas produtoras culturais Priscila Ferraz, responsável também pela coordenação, e Tayná Passos, que assina a produção executiva, o projeto busca aproximar arte, educação, gastronomia e ancestralidade. Para Priscila, a proposta é criar oportunidades de circulação e compartilhamento de conhecimentos que permanecem vivos nas comunidades.
“Ebó é um convite à partilha, aprendendo, reconhecendo as raízes e celebrando a riqueza das tradições presentes nos territórios. A gente está juntando diferentes linguagens artísticas a processos de compartilhamento de saberes tradicionais, aproximando assim pessoas, conhecimentos e fazeres ancestrais”, destaca a escritora, arte-educadora e articuladora cultural.
A programação começa às 14h30, com abertura conduzida pela mestra de cerimônia Ana Benedita e contação de histórias para crianças, com Kimberly Fraga. Às 16h, o público acompanha a performance “Òná Ijó – A Dança das Encruzilhadas”, criada pelo poeta e artista multilinguagem Falik. Vinte minutos depois, o Slam das Minas PE promove uma batalha de poesia falada protagonizada por mulheres cis e trans, seguida de microfone aberto para artistas, grupos e demais participantes.
A partir das 18h30, a música assume o palco com o Coco do Rosário, de Jaboatão dos Guararapes. Na sequência, às 20h, a cantora e sambista recifense Maria Pagodinho apresenta seu trabalho. O encerramento fica por conta da cantora, compositora e percussionista Poli, acompanhada de sua banda, às 22h.
Segundo Tayná Passos, culinarista e pesquisadora alimentar, o encontro reúne diferentes manifestações culturais em uma experiência coletiva de celebração e resistência.
“É um encontro em que a oralidade se manifesta na contação de histórias e na poesia falada, os ritmos marcados pelas palmas das mãos nos conectam ao coco e ao samba, e a força coletiva se transforma em axé, presença e alegria”, afirma.
Outro eixo da programação é a feira de mulheres pretas e empreendedoras locais, que estará aberta durante todo o evento. A iniciativa reúne quatro negócios independentes que atuam em diferentes segmentos da economia criativa.
Entre as expositoras estão a Negra Rosa, representada por Marta Soares Gomes de Almeida, com produtos de beleza e autocuidado voltados para a pele negra e os cabelos crespos e cacheados; a Pry Art Crochê, com peças artesanais, moda autoral e amigurumis; a Maria Livreira, livraria independente especializada em literatura étnico-racial infantojuvenil; e a Annigastyle, dedicada à criação de joias autorais.
A feira também dá continuidade ao propósito das atividades formativas realizadas na primeira etapa do projeto, que incentivaram o intercâmbio de conhecimentos, a valorização do trabalho artesanal e a autonomia econômica das participantes.
“Esse movimento ganha continuidade, criando espaço para circulação, comercialização e fortalecimento de pequenos negócios e marcas independentes. Algumas das expositoras também participaram das atividades formativas, como Altayssa, da Annigastyle, que apresenta suas joias autorais. Fortalecer o empreendedorismo das mulheres é ampliar suas redes, sua autonomia e a economia dos territórios”, explica Patrícia Maré, uma das oficineiras.
Antes da celebração deste sábado, o “Ebó: Tradições e Resistência” realizou uma etapa formativa gratuita nos meses de abril e maio de 2026, também no Ilê Dùn. Foram promovidas três oficinas: “Saberes do Milho Branco: Do Sagrado à Mesa”, conduzida por Esmeraldina Pereira, conhecida como Iyá Dindinha D’Osún; “Estamparia Botânica”, com Patrícia Maré; e “Costurando Histórias: Artesania Sustentável”, ministrada por Giselle Silva.
A origem da iniciativa, no entanto, remonta a 2024, quando Priscila Ferraz e Tayná Passos organizaram a primeira edição do “Ebó de Poesia”, no Dùn Ajeun Culinária Afro Diaspórica, no bairro da Boa Vista, área central do Recife. Na ocasião, a proposta reuniu sarau e roda de conversa. A experiência motivou as produtoras a ampliar o projeto e construir novas possibilidades de encontro, formação e fortalecimento comunitário.
A realização de “Ebó: Tradições e Resistência” conta com incentivo do Sistema de Incentivo à Cultura do Município do Recife (SIC), por meio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura do Recife.
Fonte: Brasil de Fato


