O que deveria ser a realização de um sonho transformou-se em uma tragédia inexplicável nos corredores da Santa Casa de Misericórdia de Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Kethiny Evinlyn Alves, de 34 anos, deu entrada na unidade hospitalar no último dia 20 para realizar uma cirurgia ortognática — procedimento destinado a corrigir alterações na estrutura óssea da face —, mas acabou perdendo a vida precocemente, deixando uma família devastada e cercada por dúvidas que agora exigem respostas urgentes da Justiça.
A trajetória de Kethiny em busca de sua “cirurgia dos sonhos” foi marcada por uma aflição que, hoje, parece premonitória. Em um vídeo gravado na véspera da operação, a vítima já demonstrava preocupação e receio com o pós-operatório. O cenário, que deveria ser de esperança, tornou-se um drama de horror: poucas horas após o início do procedimento, a família recebeu a notícia desoladora de que Kethiny havia sofrido complicações graves e estava sendo transferida, às pressas, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Médicos teriam relatado à mãe da paciente que Kethiny sofreu uma hipóxia cerebral, condição em que o cérebro é privado de oxigênio, mas a falta de detalhes técnicos e a opacidade sobre o que exatamente ocorreu no centro cirúrgico elevaram a tensão. Na madrugada do dia 22, a morte foi confirmada. Enquanto o documento de óbito registra choque cardiogênico e distributivo, o guia de encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) menciona choque refratário e possível lesão encefálica anóxica.1
A dor da família ganha contornos de revolta diante do que descrevem como falta de transparência por parte da unidade hospitalar e dos responsáveis pelo procedimento. A irmã da vítima, Kevely Caetano, desabafou sobre a perda irreparável: “Perdemos uma mulher jovem, cheia de sonhos, que tinha uma vida inteira pela frente. Minha mãe perdeu uma filha, e eu perdi minha irmã, minha melhor amiga e meu maior alicerce”.tá, que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A polícia aguarda a conclusão de exames periciais que serão fundamentais para determinar se houve negligência, imprudência ou imperícia. Até o momento, as perguntas persistem: o que aconteceu dentro da sala de cirurgia para que uma intervenção programada terminasse em tragédia? A investigação segue em curso, enquanto familiares lutam por acesso ao prontuário médico, na esperança de que, se comprovado o erro, os responsáveis sejam devidamente punidos.


