O que deveria ser uma noite de domingo marcada pela celebração e pela expectativa democrática transformou-se em um cenário de pesadelo e desolação no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. Onde antes havia bandeiras, música e sorrisos, o ar foi subitamente cortado por um rastro de violência que encerrou, de forma brutal, a vida da servidora pública Juliana Kamila Pinto Ribeiro, de 39 anos.
A vítima, que dedicou 12 anos de sua vida à Ouvidoria do Recife, participava de uma festa de apuração de votos em uma residência quando foi surpreendida pelo seu ex-companheiro, Josenildo Gomes de Souza Junior, 44 anos. O relacionamento, que já havia terminado há cerca de um mês, guardava, nas sombras, a tragédia que estava prestes a se concretizar.
Testemunhas que acompanhavam a movimentação na calçada descrevem o choque: o som da alegria foi silenciado por oito disparos de arma de fogo. O momento da execução chegou a ser registrado em vídeo por alguém que filmava a festa. Em um piscar de olhos, o pânico tomou conta dos convidados. O filho de Juliana, ao ouvir o estrondo dos tiros, correu em direção ao quintal do imóvel, apenas para encontrar o cenário de horror: sua mãe e o autor do crime caídos, sem vida.
Josenildo, após cometer o feminicídio contra aquela que um dia compartilhou a vida, ceifou a própria existência em um ato final de covardia. Quando a polícia chegou ao local, por volta das 20h46, já encontrou a tragédia consumada. O Centro Integrado Operacional de Defesa Social registrou o caso como um feminicídio seguido de suicídio.
O crime chocou a comunidade e a classe política pernambucana. O prefeito do Recife, Victor Marques, manifestou indignação diante da brutalidade: “É revoltante que mais uma mulher tenha sua vida interrompida de forma tão brutal”.
Enquanto o inquérito policial avança para esclarecer os detalhes dessa barbárie, resta à família e aos amigos de Juliana o luto por uma trajetória interrompida precocemente. O Ibura agora chora a perda de uma servidora dedicada, vítima da violência que assombra tantas mulheres e que, desta vez, transformou uma comemoração em uma cena de crime indelével.


