
Uma medalha de ouro, três de bronze e histórias de superação marcaram a participação de surfistas de Santos no Master Games Brasil, realizado nos dias 9 e 10 de outubro, na Praia da Macumba, no Rio de Janeiro. As atletas santistas se destacaram nas disputas de surfe feminino master, mostrando que a paixão pelo esporte não tem idade e que nunca é tarde para enfrentar novos desafios.
Promovido pelo Comitê Brasileiro do Esporte Master (CBEM), o evento reuniu atletas de diferentes modalidades e gerações. No surf feminino, 16 competidoras participaram das disputas, divididas em três categorias. Além das medalhas, a competição foi uma oportunidade para valorizar a presença feminina no esporte e incentivar outras mulheres a entrar no mar, independentemente da idade.
OURO E BRONZE COM HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO
A medalha de ouro santista veio com Maria de Fátima Gonçalves Bezerra, de 55 anos, campeã da categoria 50+ do longboard feminino. O resultado teve um significado especial para a atleta, que começou a surfar há apenas cinco anos, depois de adiar por muito tempo o sonho de praticar a modalidade. “Eu surfo apenas há cinco anos. Anteriormente, eu sempre tive essa vontade, mas, por questões da vida, fui adiando. Até que um dia falei: ‘Não, basta, vou atrás’, e fui. Hoje consegui minha medalha de ouro no longboard feminino na Praia da Macumba. A gente toma alguns caldos, mas foi muito gratificante”, contou. A conquista também virou um incentivo para outras mulheres. “A gente tem que provar o dobro, tem que afirmar que é boa. Eu falo para as mulheres e meninas: nunca é tarde! Tenho 55 anos, comecei com 50. Então não tem limite. Quando a gente quer, a gente vai”.
Na categoria 60+, Cleonilda Gois dos Santos, conhecida como Cléo Voice, de 62 anos, garantiu a medalha de bronze. Com mais de três décadas de experiência no surfe, ela comemorou a oportunidade de competir ao lado de referências da modalidade, como Angela Bauer, um dos grandes nomes do longboard feminino brasileiro.“Chegar a uma Olimpíada Master, conquistar uma medalha de bronze e ainda competir com Angela Bauer, que é um dos nossos ícones brasileiros do longboard, para mim é uma vitória. É mostrar uma mulher da nossa maturidade com vitalidade, controle emocional e dizer que a vida é apenas o começo, nunca o fim”, afirmou.
Outra medalha de bronze foi conquistada por Patrícia Braz Vilas Boas, de 49 anos, na categoria de 40 a 50 anos. Praticante de surfe há cinco anos, ela precisou superar uma lesão sofrida na véspera da competição, além das condições desafiadoras do mar carioca. “A gente mostrou ao que veio lá no Rio de Janeiro. Fomos em poucas, mas foi uma superação para todas nós. Um mar muito diferente, desafiador… Todas as mulheres do esporte master foram lá para mostrar que já vivemos muita coisa para ter vergonha ou medo”, relatou.
A quarta medalha santista, também de bronze, ficou com Mércia Cristina do Nascimento, de 53 anos, na categoria 50+. Sua história de superação começou antes mesmo da chegada ao Rio de Janeiro. Durante a viagem, as pranchas caíram do carro na estrada e a atleta precisou competir com uma prancha emprestada. “Ganhei essa de bronze. Valeram os tombos, valeu meu esforço. Consegui chegar no outside e fiquei muito feliz pela experiência. Foi uma superação”, comemorou.
PIONEIRA DO SURF FEMININO RECEBE HOMENAGEM
Além dos resultados dentro d’água, a participação santista no Master Games Brasil também foi marcada por uma homenagem a Diolanda Vaz, presidente da Associação Brasileira de Surf Feminino (ABSF) e uma das pioneiras na luta pela valorização das mulheres na modalidade. Diolanda foi homenageada pela Associação Brasileira de Longboard Master, presidida por Ronan Amaral, ao lado de nomes históricos do esporte, como Chico Paioli, Daniel Friedman e Angela Bauer. “Foi uma grande honra estar junto de outros homenageados que são lendas do longboard brasileiro. Foi uma surpresa e estar no meio de tantos ícones foi muito gratificante”, contou.
A homenagem aconteceu em um ano especial para a ABSF, que completou 25 anos em abril. Diolanda participou da elaboração do estatuto e do registro da entidade, criada para ampliar as oportunidades das mulheres no surfe. A história começou no final da década de 1990, quando acompanhava a filha, Vanessa Vaz, nas competições. Na época, percebeu a desigualdade nas premiações: enquanto os meninos recebiam blocos e pranchas, as meninas ganhavam camisetas masculinas e chinelos de vitrine. Inconformada com a situação, decidiu agir. A Associação passou a organizar campeonatos com categorias específicas para meninas, abrindo espaço para novas gerações de surfistas. Diolanda também foi responsável pela criação das primeiras escolas de surfe feminino do Brasil, em Santos.
ESPORTE E QUALIDADE DE VIDA
Após a competição, as medalhistas e Diolanda Vaz estiveram na Secretaria de Esportes de Santos (Semes), onde compartilharam as conquistas e conversaram com o secretário Rogério Sampaio sobre o fortalecimento do surf feminino master na Cidade. O titular da pasta destacou a importância de incentivar a prática esportiva em todas as fases da vida. “Investir nessas modalidades é pensar no futuro. A prática de atividade física contribui para que as pessoas envelheçam com mais saúde, autonomia e qualidade de vida”, afirmou Rogério Sampaio.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, Santos é o município mais envelhecido do País entre aqueles com mais de 100 mil habitantes. Nesse cenário, o incentivo à atividade física ganha ainda mais relevância como instrumento de promoção da saúde e do envelhecimento ativo.
Mais do que as quatro medalhas conquistadas no Rio de Janeiro, as surfistas santistas voltaram para casa com histórias que mostram a força do esporte feminino master. Histórias de mulheres que desafiam limites, superam obstáculos e provam, a cada onda, que nunca é tarde para realizar sonhos.
Fotos: Divulgação e Francisco Arrais
Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS
Fonte: Prefeitura de Santos


