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Memória e História: Em 11 de setembro de 1973, o Chile viveu um dos episódios mais sombrios da história da América Latina com o golpe de Estado sangrento que derrubou o presidente democraticamente eleito Salvador Allende, em Santiago. Nascido em Valparaíso no ano de 1908, o médico e fundador do Partido Socialista assumiu o poder em novembro de 1970 com a promessa de transformar as estruturas sociais do país. Sua gestão promoveu reformas históricas, como a ampla reforma agrária e a nacionalização de setores estratégicos — como a exploração do cobre, petróleo, telecomunicações, além da garantia de saúde e educação públicas e gratuitas.
Conspirações e o Cerco à Democracia
A implementação de propostas progressistas atraiu forte oposição interna e externa. O governo de Allende foi alvo constante de sabotagens econômicas, atentados promovidos por grupos de extrema-direita e uma intensa campanha midiática de desestabilização liderada pelo jornal El Mercurio, com suporte direto dos Estados Unidos por meio da CIA, sob a gestão de Richard Nixon e Henry Kissinger. Após sufocar a primeira tentativa de golpe em junho de 1973 — episódio conhecido como “Tancazo” —, Allende propôs a convocação de um plebiscito nacional para que a população decidisse o futuro de seu mandato, reafirmando seu compromisso ético com a soberania popular.
O Bombardeio a La Moneda e o Legado
A saída democrática foi atropelada pelas Forças Armadas no 11 de setembro. Com Santiago cercada, Allende proferiu seu histórico discurso de despedida na Rádio Magallanes e recusou-se a render-se ao general Augusto Pinochet. Resistindo dentro do Palácio La Moneda armado com um fuzil presenteado por Fidel Castro, o presidente foi morto durante o ataque e bombardeio aéreo à sede do executivo.
O golpe deu início a uma ditadura militar que durou 17 anos, marcada pela repressão sistemática, assassinatos, torturas e milhares de desaparecimentos políticos. Mais de meio século depois, a figura de Salvador Allende permanece como um símbolo de resistência, justiça social e firmeza democrática na memória dos povos latino-americanos.

Mudança de rumo no Palácio de La Moneda
O Chile vivencia uma das viradas políticas mais acentuadas de sua história recente com a consolidação da gestão do presidente José Antonio Kast. Representante do espectro da extrema-direita e de posicionamento conservador radical, o governante assumiu a chefia do Poder Executivo em 11 de março de 2026, sucedendo o ex-presidente de esquerda Gabriel Boric.
Transição e Foco da Gestão
A ascensão de Kast ao comando do país sinaliza uma reorientação profunda em relação às agendas adotadas nos anos anteriores. Eleito sob uma plataforma de forte apelo à ordem e à estabilidade econômica, o atual governo estabeleceu prioridades claras para a sua condução administrativa:
- Segurança Pública: Implementação de medidas rigorosas de combate à criminalidade e tolerância zero com a violência e a delinquência urbana.
- Controle da Imigração: Rigor na fiscalização de fronteiras e endurecimento das políticas relativas à entrada e permanência de imigrantes no país.
- Pautas Econômicas: Reformas liberalizantes voltadas ao incentivo do mercado privado, redução de gastos governamentais e desregulamentação.
A mudança de comando consolida a oscilação do eleitorado chileno, que substituiu um projeto progressista por uma linha de governo focada em segurança e disciplina fiscal.


