Te Explico Aqui | “Meu filho não me obedece! Acho que é TOD.” por Dra. Thatyana Turassa

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Dra Thatyana Turassa

Além de crianças autistas, atendo muitas crianças com TOD e TDAH todos os dias. Mas uma coisa que me chama muito a atenção: a quantidade de diagnósticos de TOD equivocados que chegam até mim – e com manejo ineficiente.

Na prática clínica, fechar o diagnóstico de TOD em crianças pequenas (por volta dos 2, 3 anos) é precipitado. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, não estabelece uma idade mínima rígida para o diagnóstico, mas nessa faixa etária o comportamento opositor faz parte do desenvolvimento normal. Toda criança dessa idade desafia, recusa e faz birra. O que diferencia o TOD do comportamento esperado é a intensidade, a frequência, a duração e o prejuízo real que causa na vida da criança. E isso é extremamente difícil de avaliar com segurança em um cérebro que ainda está em plena formação. Portanto, fechar este diagnóstico com 2 ou 3 anos, na maioria dos casos, é um erro. O que pode existir nessa idade é um perfil que merece acompanhamento, um TDAH precoce, ou sinais que precisam ser investigados com cuidado.

O segundo erro: tratar o TOD sem investigar o que está por baixo.
Na grande maioria dos casos que acompanho, o TOD não vem sozinho. Vem junto com TDAH, com TEA, com Ansiedade, ou com uma combinação desses. Uma criança que briga com tudo, recusa tudo, enfrenta tudo, quase sempre está fazendo isso porque o sistema nervoso dela está sobrecarregado por uma condição que ainda não foi identificada ou tratada corretamente.

Quando o TDAH não é tratado, a criança vive em frustração crônica. Quando o TEA não é reconhecido, ela enfrenta um mundo que não entende e reage como pode. Quando a ansiedade é ignorada, o enfrentamento vira a única defesa que ela conhece.

E quando nada disso é endereçado?
O risco é real: o TOD não tratado pode evoluir para um Transtorno de Conduta. Isso significa um padrão mais grave e persistente de comportamentos que violam regras sociais e os direitos dos outros. Não é só “fase difícil”. É uma escalada que poderia ter sido evitada com diagnóstico correto e intervenção precoce.

O padrão ouro de tratamento para o TOD é a orientação parental. Não a medicação. A família precisa entender como funciona o cérebro dessa criança, como responder ao comportamento desafiador sem alimentá-lo, como estabelecer regras, consequências e vínculos de forma consistente. A medicação pode ter um papel importante quando há uma comorbidade que precisa ser tratada, como um TDAH desregulado ou uma ansiedade intensa. Mas ela não cura o TOD, não segura o comportamento e não modifica a dinâmica familiar. Quem faz isso é o trabalho feito com a família, com consistência e com orientação de qualidade.

Por isso o diagnóstico precisa ser completo. Precisa olhar para a criança inteira, para a família, para o contexto escolar. E precisa ser feito na idade certa, por profissional que conheça o neurodesenvolvimento de verdade.
Tratar o TOD é possível. Mas começa por entender o que, de fato, está acontecendo.

Dra. Thatyana Turassa é médica pediatra com atuação voltada ao desenvolvimento infantil e transtornos do neurodesenvolvimento. Possui formação em transtornos do neurodesenvolvimento pelo CBI of Miami e Certificação Thiago Castro. Dedica-se ao acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições do desenvolvimento, orientando famílias com base em ciência, cuidado e acolhimento. Acredita que informação de qualidade é uma ferramenta essencial para fortalecer pais e cuidadores no processo de desenvolvimento de cada criança.

Dra Thatyana Turassa
CRMSP 150384 | RQE 77914
Pediatra • Autismo • Desenvolvimento
E-mail: thatyana@me.com

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