Militares dissidentes das forças armadas do Níger tentaram invadir o palácio presidencial, em Niamey, capital do país, em um motim na madrugada deste sábado (29). O ataque desencadeou tiroteios intensos e explosões na região central e nos arredores da Base Aérea 101, junto ao aeroporto internacional, mas os insurgentes foram repelidos pela Guarda Presidencial, que permanece leal ao governo militar.
De acordo com informações da agência de notícias AFP, os militares rebeldes tentaram forçar a entrada na sede da presidência, iniciando as trocas de tiros que duraram até o início da manhã. Um diplomata do país africano confirmou que a guarda do palácio se manteve fiel ao general Abdourahamane Tiani, líder da junta que governa o país.
Durante a revolta, os insurgentes fizeram soldados de reféns na Base Aérea 101, que fica ao lado do Aeroporto Internacional Diori Hamani. Moradores da capital relataram à agência AFP ter escutado disparos de armas pesadas e fortes detonações vindas da área militar desde a 1h da manhã locais.
Em comunicado oficial divulgado na televisão nacional e assinado pelo Ministro da Defesa, General Salifou Mody, as autoridades locais informaram que o exército está retomando o controle da situação de forma gradual. O documento pede que a população mantenha a calma e “evite compartilhar informações não verificadas”.
As transmissões da emissora pública Tele Sahel saíram do ar por pouco mais de uma hora durante a manhã, apresentando tela preta tanto via satélite quanto online. Soldados da junta militar estabeleceram bloqueios nas vias de acesso ao palácio presidencial e ao prédio da televisão pública, impedindo o trânsito de motoristas e pedestres na região administrativa.
O parlamentar do Conselho Consultivo da Aliança dos Estados do Sahel (AES), Bana Wagana Ibrahim, publicou nas redes sociais que a Base 101 sofreu um “ataque covarde”, mas disse que a situação foi contida pela rápida mobilização militar.
A Base Aérea 101 é uma instalação altamente estratégica para o Níger, abrigando a sede do grupo russo Africa Corps, o estado-maior da força unificada da AES e um estoque de urânio concentrado aguardando exportação. Este é o terceiro ataque sofrido pelo complexo do aeroporto de Niamey neste ano, após investidas de grupos jihadistas rivais do governo oficial ocorridas nos meses de janeiro e junho.
O Níger é liderado por uma junta militar desde julho de 2023, quando um golpe de Estado depôs o presidente eleito Mohamed Bazoum, que segue sob custódia militar. Sob o comando de Abdourahamane Tiani, o governo nigerino se afastou de antigos parceiros ocidentais na área de segurança e buscou apoio da Rússia, unindo-se aos governos vizinhos de Mali e Burkina Faso.
Fonte: Brasil de Fato


