Médico ortopedista alerta para o papel fundamental da atividade física na saúde articular e na qualidade de vida
Existe uma crença de que, depois de certa idade, o corpo já não responde bem ao exercício, que deve ser iniciado na juventude. Essa crença está errada e custa caro: na forma de dor, perda de mobilidade, dependência funcional e, em muitos casos, cirurgia.
Segundo o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO), mover-se é um dos maiores atos de cuidado que uma pessoa pode ter com suas articulações, e nunca é tarde para começar.
“A inatividade física é um dos maiores inimigos das articulações. O músculo que não é trabalhado enfraquece, a cartilagem que não recebe estímulo adequado se deteriora mais rapidamente e a articulação que não é movimentada perde mobilidade. O sedentarismo não protege o corpo, ao contrário, ele o envelhece mais rápido”, alerta o Dr. Fábio.
O que a atividade física faz pelas articulações
As articulações, especialmente o quadril, uma das mais sobrecarregadas do corpo humano, dependem de uma cadeia muscular forte e ativa para funcionar bem. Os músculos ao redor da articulação distribuem as forças do movimento, absorvem impactos e estabilizam a estrutura óssea. Quando essa musculatura está fraca, a articulação trabalha sozinha e o desgaste da cartilagem acelera.
Além disso, o movimento estimula a produção de líquido sinovial, o fluido que lubrifica e nutre a cartilagem articular. Articulações que se movem regularmente são articulações mais saudáveis, independentemente da idade do paciente.
“Quando um paciente me pergunta se deve continuar se exercitando por causa da dor no quadril, a resposta quase sempre é sim, com as adaptações certas. O movimento adequado, orientado por um profissional, é parte do tratamento, não um fator de risco”, explica o Dr. Fábio.
Os benefícios da atividade física para a saúde articular incluem:
- Fortalecimento da musculatura de suporte, reduzindo a sobrecarga direta sobre as articulações
- Manutenção da amplitude de movimento, prevenindo a rigidez progressiva
- Controle do peso corporal, diminuindo a pressão mecânica sobre quadril, joelhos e coluna
- Estimulação da produção de líquido sinovial, que lubrifica e protege a cartilagem
- Melhora do equilíbrio e da propriocepção, reduzindo o risco de quedas, que é uma das principais causas de lesões graves em pessoas mais velhas
Em todas as fases da vida
A relação entre atividade física e saúde articular começa muito antes da terceira idade. Hábitos construídos na infância e na vida adulta determinam, em grande medida, as condições das articulações nas décadas seguintes. Mas o corpo tem uma capacidade notável de resposta ao estímulo e essa janela de adaptação permanece aberta muito além do que a maioria das pessoas imagina.
Na infância e adolescência, a atividade física contribui para o desenvolvimento ósseo e muscular saudável, criando uma base sólida para a saúde articular ao longo da vida. Na vida adulta, ela mantém a musculatura ativa e o peso sob controle, que são dois fatores diretamente ligados ao risco de artrose. Na terceira idade, mesmo quem nunca foi ativo, pode se beneficiar de forma significativa ao adotar um programa de exercícios adequado à sua condição.
“É possível, mesmo aos 60 ou 70 anos, e sem nenhum histórico de atividade física, com orientação adequada, transformar completamente sua saúde articular e sua qualidade de vida com uma nova rotina de atividade física regular. O corpo humano é surpreendentemente responsivo. A questão não é a idade, é começar.”
Longevidade ativa: independência como meta
O conceito de longevidade ativa vai além de viver mais anos, trata-se de viver com autonomia, mobilidade e qualidade. A capacidade de se mover com independência está diretamente ligada à saúde das articulações e à força muscular mantidas ao longo da vida.
Estudos mostram que adultos fisicamente ativos têm menor risco de desenvolver artrose grave, menor probabilidade de necessitar de cirurgia de substituição articular e, quando precisam operar, apresentam melhores resultados pós-operatórios e recuperação mais rápida. A atividade física é, ao mesmo tempo, prevenção e preparação.
Para o Dr. Fábio, a independência funcional, que é a capacidade de realizar as atividades do cotidiano sem precisar de auxílio, deve ser encarada como uma meta de saúde, não como um dado garantido.
“A maioria das pessoas só percebe o valor de conseguir subir uma escada, caminhar na rua ou se levantar de uma cadeira sem ajuda, quando começa a perder essa capacidade. Preservar a independência funcional é uma das razões mais importantes para se manter ativo. A boa notícia é que nunca é tarde demais para trabalhar nisso.”
Quais atividades são recomendadas?
A escolha da atividade física ideal depende da condição de cada paciente, da presença ou não de sintomas articulares e do nível de condicionamento atual. De forma geral, as modalidades mais recomendadas para a saúde articular são aquelas de baixo impacto, que fortalecem a musculatura sem agredir a cartilagem, como por exemplo:
- Caminhada em terrenos planos: acessível, eficaz e de baixo risco para as articulações
- Natação e hidroginástica: o ambiente aquático reduz drasticamente o impacto sobre as articulações, tornando ideais para quem já tem dor ou desgaste articular
- Ciclismo: fortalece a musculatura das pernas com baixo impacto sobre o quadril e os joelhos
- Musculação e treinamento funcional: quando bem orientados, são fundamentais para fortalecer a cadeia muscular de suporte das articulações
- Pilates e ioga: trabalham mobilidade, equilíbrio e consciência corporal, complementando o trabalho de fortalecimento
O momento certo é agora
Seja aos 30, 50 ou 70 anos, o melhor momento para começar a se movimentar é o presente. Pequenas mudanças de hábito, como caminhadas diárias, aulas de hidroginásticas ou um programa de fortalecimento muscular, têm impacto real e mensurável sobre a saúde articular e a qualidade de vida.
Para quem já sente dores articulares ou tem dúvidas sobre qual atividade praticar, a orientação é buscar avaliação médica antes de iniciar ou intensificar o exercício. O médico ortopedista pode indicar o tipo e a intensidade de atividade mais adequados para cada caso, levando em conta a condição articular atual e os objetivos do paciente.
“Qualidade de vida não é luxo, é direito. E ela começa com a decisão de se mover, no ritmo certo, com orientação, mas sem esperar o momento perfeito, pois o momento perfeito é agora.”
Dr. Fábio Elói é cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO).
IMPRENSA
Monica Kulcsar
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