A escalada de ataques e intimidações contra as comunidades indígenas no período pós-eleitoral representa uma das páginas mais sombrias e inaceitáveis da história recente do país. Em vez de acatar o resultado soberano das urnas com civilidade e respeito às instituições, grupos extremistas canalizam o ressentimento político em agressões covardes contra aqueles que sempre foram os guardiões milenares da terra.
Crianças, mulheres e anciãos das aldeias tornam-se alvos de invasões, queimadas e violência física simplesmente por exercerem a sua cidadania e defenderem seu território sagrado. Essa violência contra os povos originários não é apenas um atentado às leis, mas um ataque direto à própria essência e à alma da nação brasileira.
Não há margem para conivência ou neutralidade diante do ódio que tenta silenciar quem traz a floresta na pele e a ancestralidade na alma. O Estado Democrático de Direito exige a imediata apuração dos fatos, o rigor da lei sobre agressores e mandantes, e a garantia irrestrita da vida e da dignidade de nossas populações nativas.